A MALDIÇÃO DA "TEOLOGIA DA MALDIÇÃO"
O RETORNO DA DRA. REBECCA BROWN E O PASSADO SOMBRIO DE DANIEL YODER

Todo o texto referente à analise dos livros e da biografia de Rebecca Brown foi traduzido do site Watch the Tower.
Finalmente posso apresentar a conclusão / complementação do texto analítico cuja tradução da primeira parte foi disponibilizada no final de 2005. Tendo demorado bem mais do que a simples semana prevista para concluir este texto, somente posso glorificar ao Deus Todo Poderoso por tudo o que ocorreu neste período em que não pude atualizar o conteúdo deste site.
Houveram várias mensagens de questionamento e principalmente críticas a respeito da primeira parte deste texto, porém finalmente eu posso apresentar os principais motivos para que eu tenha me empenhado em traduzir e disponibilizar uma análise tão extensa sem que fosse de minha autoria. Caso queiram ir direto ao assunto é só prosseguir até a próxima página, onde muito da teologia apresentada por Brown é comparada ao contexto bíblico onde ela supostamente se baseou e, só então, podemos esclarecer o quanto de engano e o quanto de verdade há em suas palavras.
Esta análise é baseada principalmente no livro "Maldições Não Quebradas" e seus autores são os mesmos da primeira parte:
Rev. G. Richard Fisher, Senior Pastor, Laurelton Park Baptist Church, Bricktown, NJ,
Rev. Paul R. Blizard, Senior Pastor, Memorial Baptist Church, Beckley, WV,
Rev. M. Kurt Goedelman, President, Personal Freedom Outreach, St. Louis, MO
Caso desejem verificar o texto original (em inglês), não deixem de enviar suas sugestões para correção e aprimoramento desta tradução... afinal, tenho de admitir que é com esforço e pesquisa que disponibilizo este material. Aliás, nessa segunda parte devo agradecer a meu amado irmão Ewerton DeCastro por sua boa vontade e auxílio em algumas partes mais complexas.
Sem mais delongas, vamos ao que realmente interessa!
Mitos Cristãos, lendas e superstições santificadas abundam: A petição da atéia Madalyn Murray O'Hair para que o FCC proibisse qualquer radiodifusão Cristã [1]; o carona que revela o retorno iminente de Cristo e então desaparece; uma entrada para inferno na Sibéria; e o patrocínio de Procter and Gamble às atividades ocultas [2].
Superstições têm existido através dos séculos [3] e receberam um novo tratamento através de Rebecca Brown que, em mais uma de suas “obras”, oferece uma “teologia de maldição” que é mais mística que bíblica.
Quebrar maldições satânicas e demoníacas tem sido um dos “atrativos” do movimento carismático há algum tempo, mesmo que poucos de seus expoentes concordem na extensão das maldições ou como quebrá-las. O jornal “Personal Freedom Outreach” tratou do assunto em um artigo editorial chamado “As Raízes e Frutos da Libertação” [4] e concluiu que nem suas raízes nem seus frutos eram bíblicos.
O livro de Brown, escrito em parceria com seu marido, Daniel Yoder, chama-se “Unbroken Curses — Hidden Source of Trouble in the Christian’s Life” (o título em português ficou apenas “Maldições Não Quebradas”, desprezando o subtítulo, que diz “A Fonte Oculta das Dificuldades na Vida do Cristão”) [5]. Este, assim como os outros livros desta autora, é um tratado não bíblico sobre guerra espiritual, cheio de enganos históricos e reais, assim como “firulas”. O livro está apenas resgatando os aspectos que nos permitem observar os erros daqueles que, aparentemente, preferem viver sob uma maldição ao invés da liberdade dos filhos de Deus.
Alguns cristãos acham que desprezar silenciosamente os ensinos como estes da senhora Brown é a melhor resposta e que lhe responder apenas validariam suas idéias, enquanto outros argumentam que tal silêncio permite que estes “mestres” enganem os desavisados sem maiores obstáculos.
A VERDADE POR TRÁS DA CAPA
Aqueles que leram o artigo anterior sobre este assunto recordarão que Rebecca Brown é, na verdade, Ruth Bailey, médica de uma pequena cidade que, depois de ter sua licença revogada pelas autoridades de Indiana em 1984, viajou para a Califórnia e começou a promover suas estranhas visões do oculto e libertação com ajuda do editor de histórias em quadrinho e panfletos cristãos, Jack T. Chick. Relatórios policiais, documentos médicos, artigos de jornal e testemunhos de familiares e vizinhos... tudo comprova sua vida confusa e afirmações espúrias.
Brown teve também, durante a primeira década de sua “carreira” espiritual, uma sócia chamada Elaine, que afirmava ter casado com Satanás — cerimônia completa, com direito até a lua de mel! — que disse ter sido a “representante mundial de Satanás”, negociando a venda de armas com líderes de diversos países [6]. Os livros anteriores de Brown contam histórias das duas se aliando para lutar contra os ocultistas da pequena cidade de Indiana e de Brown libertando cerca de 1000 pessoas do núcleo do satanismo em apenas dois anos [7].
Brown também escreve que no meio da década de 80, antes de se mudar para a Califórnia, fez uma aliança com Deus, incluindo o termo: “compreender que lá (na Califórnia) eu entregaria a minha vida para o Senhor” [8]. Apesar dessa aliança, Brown dissolveu sua sociedade com a Elaine e Jack Chick e deixou a Califórnia. Em 10 de dezembro de 1989 ela se casou Daniel Michael Yoder, que na ocasião morava em Phoenix, Arizona.
A HISTÓRIA DE DANIEL
Brown inventa outra fábula na breve biografia de seu marido em “Maldições Não Quebradas” [9]. Ela escreve que seu marido: “nasceu em numa família judia muito rica, de banqueiros internacionais” e que quando ele tinha seis anos, seus pais o enviaram para estudar na Suíça [10], sob orientação rabínica e cabalística, em um “internato exclusivo”. De acordo com Brown, Yoder continuou sua instrução lá até seus 19 anos e depois completou seus estudos, sendo diplomado na Suíça.
Bem ao estilo das exageradas histórias de Elaine sobre abusos ritualísticos, Yoder também descreve episódios de tortura ilimitada e abusos cometidos pelos cabalistas “através de seus anos na escola”. Segundo o livro: “Depois da longa viagem ao exterior, Daniel foi levado ao nível subterrâneo da escola e colocado num pequeno quarto sem janelas”, onde foi mantido tal qual um prisioneiro. Em uma tentativa de fuga, Rebecca relata: “... finalmente ele se arrastou para dentro de um pequeno quarto escuro que não estava trancado. Pensou que estaria seguro ali, e por fim caiu no sono. Mas a sua paz teve curta duração. O quarto que ele pensou ser um refúgio na realidade era um quarto de disciplina usado para torturar crianças que desagradassem os professores. Era um quartinho redondo, de diâmetro não maior do que um metro e meio. O seu teto era o próprio piso do pavimento superior, e havia uma portinha no mesmo que se abria para cima. Quando os rabinos o encontraram, eles o fecharam no quarto, removeram a tampa que havia no teto, e descarregaram milhares de aranhas sobre ele, muitas delas venenosas”.
Como as aranhas começaram a rastejar sobre ele e mordê-lo, Yoder gritou em angústia. “Imediatamente, um brilhante raio de luz penetrou naquela casa, descendo até aquele frio quartinho onde Daniel se encolhia todo, tremia e chorava pelo chão”. Brown ainda escreve: “... Dois braços saindo daquela luz... Aqueles braços tomaram a Daniel e o ninaram. Confortado, ele dormiu nos braços de Jesus. Quando acordou, todas as picadas das aranhas tinham sido curadas”.
O texto de Brown diz: “Um pouco depois de deixar o internato, Daniel herdou uma fortuna. Ao terminar seu curso universitário na Suíça, ele entrou no negócio do seu avô e rapidamente assumiu o poder lá, e depois entrou nos negócios de sua família também. Ele também formou empresas dele mesmo”. “Sua riqueza era como um brinquedo; o poder era o seu deus”, Brown escreve. Aos trinta anos de idade, os pais de Yoder ordenaram um “casamento forçado” com uma mulher chamada Kai, afirmando que o matrimônio iria “aumentar a fortuna da família”. De acordo com Brown, Kai, “também, tinha sido terrivelmente abusada, ter sido criada no Cabalismo”.
Logo após seu casamento, “Kai encontrou-se com Jesus Cristo, e com alegria o aceitou como seu Senhor e Messias”. Por causa da sua conversão ao Cristianismo, os familiares do casal “tinham contratado homens para capturá-los e forçar Kai a renunciar a Cristo, ou matá-la”. “Por três meses eles conseguiram fugir. Mas, pela vontade permissiva de Deus, eles foram pegos”. Brown escreve: “Eles foram levados num vôo para Israel, onde o Daniel foi preso a uma parede e forçado a ver Kai, o seu primeiro e até então único amor, ser torturada até a morte”.
Yoder então diz que: “fugiu para os Estados Unidos onde se escondeu numa cabana nas montanhas e ficou estudando a Bíblia de Kai durante um ano inteiro”. Como resultado, ele aceitou Jesus Cristo e abandonou sua família e a sua riqueza. Em 10 de novembro de 1989 ele conheceu Brown e pouco mais de um mês depois eles estavam casados. Logo depois eles se mudaram para Lake Park, no noroeste do Iowa.
DE BANQUEIRO A NEUROCIRURGIÃO
“Desde o começo eu soube que havia algum problema com o casal” — disse o xerife do condado de Dickinson, Greg Baloun, à PFO (em 1990, quando Brown e Yoder chegaram ao Iowa, Baloun era o Chefe de Polícia em Lake Park) — “Em nosso primeiro encontro ele se passou por um (próspero e “semi-aposentado”) neurocirurgião. Ele nunca se apresentou como um ministro para mim. Ele sempre foi um médico”. Baloun acrescenta que Yoder disse que seu pai era um doutor, nunca um riquíssimo banqueiro internacional [11].
Baloun diz que Yoder lhe contou sobre sua viagem “expressa”, da Califórnia até Nevada, para realizar uma delicada cirurgia: “Ele me contou sobre como fez este (Chrysler) Cordova viajar a 200 mph[12] e o quanto ele correu (da Califórnia até Nevada) para realizar um procedimento cirúrgico especial em tão pouco tempo”. Quando questionado se as paradas para abastecer não diminuíram seu ritmo, Yoder disse, “eu tenho um tanque personalizado de 40 galões” [13].
“Ele tinha resposta para tudo”, Baloun disse. “Ele era um grande falador, mas você poderia pegá-lo em mentiras o tempo todo” [11.
Lorraine Bush, uma corretora de imóveis local que negociou com o casal o contrato de arrendamento de uma casa de dois andares em Lake Park, concordou com a avaliação de Baloun: “Suspeitei imediatamente dele”, disse ela ao jornal local [14].
Após uma estadia de seis meses em Lake Park, Brown e Yoder mudaram-se para Estherville, uma cidade 25 milhas a nordeste. Permaneceram pouco tempo lá e então se mudaram para Spencer, onde Yoder entrou para uma sociedade não denominacional, A Igreja “Poços da Graça Viva”.
SEMPRE ENVOLVIDOS EM PROBLEMAS COM A LEI
As suspeitas de Baloun conseqüentemente se estenderam até outros órgãos de execução da lei: várias agências começaram a investigar Yoder em novembro de 1990, inclusive o Escritório do Xerife do Município de Emmet (Iowa), o Escritório do Inspetor General dos Estados Unidos (U.S. Office of the Inspector General ) e a Patrulha Estadual do Iowa. A investigação revelou finalmente que Yoder (também chamado William Joseph Stewart e Tony Michael Griffin) já havia usado diferentes números de Previdência Social e datas de aniversário.
Como a investigação se intensificou, Yoder deixou Iowa e retornou para Phoenix onde, por resultado dos persistentes esforços de Marv Loebach (Detetive Oficial da Patrulha Estadual de Iowa), foi preso no dia 29 de julho de 1991. Yoder foi acusado de falsificar registros de automóveis e carteiras de motorista, assim como falsificação de registros de Previdência social (sob a alegação de utilizar o número de Previdência social de um homem morto).
Em 06 de setembro de 1991, Yoder foi extraditado para Iowa. No dia seguinte, foi indiciado em dois processos por perjúrio. As autoridades depreenderam que ele possuía antecedentes penais e já havia cumprido sentenças em Minnesota e no Missouri, admitindo que ele aceitou receber “avaliações psicológicas, aconselhamento ou internações” [15].
Yoder foi solto em 09 de setembro, após a agência de empréstimos D&R, de Spirit Lake, haver depositado uma taxa de fiança no valor de $10,000 [16]. Seis semanas que as acusações foram reformuladas em mais três processos: o primeiro por perjúrio e os outros dois por prática fraudulenta em terceiro grau [17]. Em 12 de novembro Yoder registrou uma petição por escrito, argumentando não ser culpado de nenhuma das três acusações [18].
REVELAÇÕES AMBIVALENTES
Quando a acusação buscou mais informações sobre Yoder, recebeu montes de declarações falsas e informações contraditórias. Em uma documento de Solicitação e Ordem de Emenda do tribunal está registrado: “Que o nome do réu acusado neste documento seja corrigido de Daniel Michael Yoder para o verdadeiro e correto nome do acusado, William Joseph Stewart” [19]. Além de seus pseudônimos, vários outros documentos do tribunal revelaram contradições: datas de aniversário, ocupações (como “pastor” e “gerente de livraria”) e números de previdência social [20].
No entanto, um fato reunido pela acusação de Yoder, que permaneceu consistente ao longo de todo o processo, era que ele “tinha estudado apenas até a sétima série” [20.
NEGOCIANDO UMA DECLARAÇÃO DE CULPA
Na primavera de 1992, seguindo as recomendações feitas pelo advogado do Município de Dickinson, Yoder optou por uma “defesa negociada” e “voluntariamente” apresentou um “declaração de culpa”. O advogado do município havia recomendado ao tribunal a seguinte sentença e disposição:
(1) Multa de $2.000,00 mais uma sobretaxa de 30%.
(2) Despesas do tribunal às custas do acusado.
(3) Encerramento dos processos I e III [21].
No dia 29 de abril de 1992, Yoder apresentou uma “declaração de culpa” pelas acusações do processo II. Um trecho do documento ao tribunal, assinado por Yoder, declarava: “Eu, por meio deste, apresento minha DECLARAÇÃO DE CULPA POR Prática Fraudulenta em Terceiro Grau, uma contravenção agravada, em violação da Seção 321.97 e 714.11 (3) do Código de Iowa, cujo crime foi cometido por mim no dia 04 de abril de 1991, conforme relato da referida acusação” [21.
Baseados na declaração de culpa de Yoder, “o julgamento do Tribunal” declarou “o acusado culpado e condenado a pagar uma multa de $1.976,92, uma sobretaxa de $593,08 e os custos do tribunal de $60,00” [22]. A multa, a sobretaxa e os custos do tribunal foram ordenados a ser pagos dentro de dois dias. Yoder concordou e o caso estava encerrado [23].
O casal deixou Iowa e Brown retomou a compilação de sua história sobre pretensas batalhas com o demônio. Atualmente eles moram em Clinton (Ark), e alteraram o nome de seu ministério de “Poços da Graça Viva” para “Poços de Júbilo” (“Wells of Joy”).
[1] http://www.snopes.com/politics/religion/fcc.asp
[2] Veja mais em “The Great Christian Rumors”, de Rich Buhler.
[3] Veja “The Encyclopedia Of Jewish Religion”, pg. 136-137.
[4] The Quarterly Journal, Vol. 8, No. 4, Oct-Dec., 1988, pp. 2, 10-11
[5] Rebecca Brown com Daniel Yoder, Maldições Não Quebradas. Danprewan Editora Ltda (1ª Edição, 10ª Reimpressão – Março de 2004).
[6] Ele Veio Para Libertar Os Cativos, pg. 48.
[7] Prepare-se Para A Guerra, pg. 300.
[8] PPAG, PG. 41.
[9] Veja pg. 131-156 para conhecer o esboço biográfico de Daniel, de onde todas as informações deste texto foram retiradas.
[10] Nota do Tradutor: a versão brasileira do livro não informa que esse primeiro estabelecimento era na Suíça, mencionando apenas que ele foi enviado “para o exterior”.
[11] Entrevista pessoal com o Xerife Greg Baloun, por Kurt Goedelman; 02 de abril de 1996.
[12] Nota do Tradutor: Algo em torno de “apenas” 320 Km/h...
[13] Nota do Tradutor: Pouco mais de 150 litros...
[14] Lake Park (Iowa) News, Aug. 8, 1991, “Former resident faces state, federal charges,” pg. 1.
[15] Departamento de Serviços Correcionais, Terceiro Distrito Judicial, Formulário de Liberação Pré-julgamento (Pretrial Release form) de Danie (sic) M. Yoder. Arquivado em 09 de setembro de 1991. Cópia em arquivo.
[16] Taxa de Fiança, Formulário 10-H-1, de 09 de setembro de 1991. Cópia em arquivo.
[17] Formulário informativo; Estado de Iowa (demandantes) versus William Joseph Stewart também conhecido como Daniel Michael Yoder (acusado). Arquivado em 18 de outubro de 1991. Cópia em arquivo.
[18] Declaração escrita de inocência, Estado de Iowa (demandante) versus Daniel Michael Yoder (acusado). Arquivado em 12 de novembro de 1991. Cópia em arquivo.
[19] Solicitação e Ordem de Emenda, Estado de Iowa (demandante) versus William Joseph Stewart também conhecido como Daniel Michael Yoder (acusado). Arquivado em 18 de outubro de 1991. Cópia em arquivo.
[20] Pretrial Release form, op. cit.; Written Arraignment and Plea of Not Guilty, op. cit.; Plea of Guilty, Count II, State of Iowa, Plaintiff, vs. Daniel Michael Yoder, Defendant. Filed 92 Apr 29. Copy on file.
[21] Plea of Guilty, op. cit (As letras maiúsculas estão conforme o documento original).
[22] Entrada de Julgamento, Estado de Iowa (demandante) versus William Joseph Stewart também conhecido como Daniel Michael Yoder (acusado). Arquivado em 29 de abril de 1992. Cópia em arquivo
[23] Relatório de Disposição Final, William Joseph Stewart também conhecido como Daniel Michael Yoder. Arquivado em 05 de maio de 1992. Cópia em arquivo.
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