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Texto sob licença Creative Commons

UMA VIDA COM PROPÓSITOS

Moriel Ministries

A maior parte do texto encontrado neste estudo foi traduzido do site Moriel Ministries.

ESTE TEXTO FOI DIVIDIDO EM 8 PARTES:


1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE

4ª PARTE

5ª PARTE

6ª PARTE

7ª PARTE

8ª PARTE


comentários

DO TRADUTORBela capa... conteúdo venenoso!

É com imensa satisfação que preparo esta resposta a tantas críticas e questionamentos por quais tenho passado…

Tentei influenciar o mínimo possível no conteúdo deste texto, mas em alguns poucos momentos tornou-se necessária uma explicação mais detalhada em português, cuja tradução direta e simples das “expressões idiomáticas” em inglês não esclareceriam tão bem, mas tais ocorrências são realmente em ínfimo número.

Tenho visto igrejas sendo levadas a “aceitar” a ideologia de Rick Warren, mesmo a despeito da vontade de seus membros: isso geralmente ocorre quando a liderança não tem o devido preparo e estudo bíblico para, no mínimo, identificar as passagens bíblicas fora de contexto. Realmente não gostaria de ferir ânimos, mas este trabalho e outros feitos por mim (tanto como tradutor quanto como autor) são feitos de forma gratuita, por amor a meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Imagino que aqueles que “ganham o pão” para lidar com a educação religiosa e pastorear uma igreja tivessem, no mínimo, a obrigação de ser mais atenciosos aos ataques de falsos profetas e deturpações da palavra de Deus… porém o que vejo são muitíssimas igrejas naufragando por suas sentinelas permanecerem dormindo ou sendo levadas pelo modismo.

Já fui acusado de soberba por estar firmado apenas e somente nos textos bíblicos. Os termos “radical”, “bitolado”, “cego” e mais tantos outros já se ligaram a meu nome. Mas por tantos episódios passados, cheguei a conclusão que posso me orgulhar se me chamarem de “fundamentalista”, pois cheguei ao ponto de perceber que se determinada doutrina de determinada denominação não se alinha à palavra de Deus, então ali há heresia.

Narro, não para envergonhar uma querida irmã, mas para demonstrar a que nível de infiltração herética as igrejas chegaram, uma frase que ouvi de uma Ministra de Educação Religiosa em determinado momento de uma discussão onde eu estava dizendo que o Senhor Rick Warren até tinha algumas boas idéias. Fui interrompido por uma súbita explosão dessa líder com a seguinte frase: “Boas não! EXCELENTES idéias!!!” Como se diz em nosso país: essa engoliu a isca, o anzol, a linha e a vara!

Leia o estudo abaixo, compare-o com a Bíblia. Se possuir o livro, verifique as citações… se ainda assim tudo isso não servir para mostrar o nível de cegueira espiritual que já impera em algumas das igrejas de nosso país e do mundo, então está chegando a hora de nos prepararmos para encontrar nosso Senhor Jesus Cristo, pois se isto não for a apostasia, não imagino o quão distante uma organização que se chama igreja possa ir para longe de Deus e Sua palavra e manter esse nome.

Que Deus nos abençoe.

DO AUTOR

Rick Warren é o pastor da Igreja de Saddleback, na Califórnia, e o escritor de “Uma Igreja com Propósitos”® e “Uma Vida com Propósitos”® série com melhor venda de livros. Com “Uma Igreja com Propósitos” Rick Warren mirou nos pastores e líderes de igreja, agora com o lançamento de “Uma Vida com Propósitos” ele vira sua atenção para as pessoas comuns. Desde seu lançamento em 2002, milhares de igrejas ou usaram literalmente ou têm usado este livro em uma campanha chamada “40 Dias com Propósito”.

Rick Warren pode muito bem ser um pastor cristão sincero e seu livro realmente tem algumas das verdades práticas para os crentes hoje. Porém, embora o livro tenha alguns aspectos muito positivos, o fato é que este livro é promovido como uma viagem espiritual e deve ser olhado com extrema cautela: qualquer erro deve ser exposto a luz das escrituras. Rick Warren faz muito do que os estudantes de bíblia chamam de “texto de prova”, isso significa que ele sempre tira a escritura de seu contexto para fortalecer suas idéias ou parecer mais persuasivo.

No apêndice 3, na parte traseira do livro, Rick Warren explica o uso de 15 traduções bíblicas diferentes. Ele declara “Em primeiro lugar, por melhor que seja uma tradução, ela tem limitações.” Isto pode ser verdade, mas usar 15 traduções diferentes, parafraseando-as e fazendo traduções livres não é realmente uma boa prática escolar. Pode até ser útil para ler versos em muitas versões diferentes, mas ao utilizar paráfrases e traduções livres, o significado original do texto pode ser perdido.

Por favor, não me entenda mal: traduções livres (como a “The Message”), ou paráfrases (como as da “Bíblia Viva” ou da “A Nova Bíblia Viva”) podem ter seu lugar, mas somente se mantiverem o significado do texto original. Como você verá, algumas dessas citações não o fazem. Ao se fazer um estudo sério, a melhor prática é escolher duas ou três versões confiáveis e seguir com elas. Se um verso for um pouco mais difícil de entender, então dê algumas explicações para facilitar a compreensão, afinal de contas, isso é o que se chama de “boa exegese”.

Rick Warren também declara no final do apêndice 3: “… nem sempre citei o verso por inteiro, mas me concentrei na parte mais apropriada. Para isso segui o exemplo de Jesus e a forma em que ele e seus apóstolos citavam o Antigo Testamento.”

Porém, Jesus e os apóstolos nunca tiraram essas citações da escritura de seu contexto quando citavam o Antigo Testamento, algo que Rick Warren precisa aprender. Vamos agora dar uma olhada no próprio livro…

INTRODUÇÃO

Rick Warren declara na página 9:

Sempre que Deus quis preparar alguém para seus propósitos, ele utilizou 40 dias:

  1. A vida de Noé foi transformada por 40 dias de chuva.

  2. A vida de Moisés foi transformada por 40 dias no Monte Sinai.

  3. Os espias foram transformados após 40 dias na Terra Prometida.

  4. Davi foi transformado pelo desafio de Golias, proferido por 40 dias.

  5. Elias foi transformado quando Deus o sustentou durante 40 dias com uma única refeição.

  6. Toda a cidade de Nínive foi transformada quando Deus concedeu 40 dias para que o povo mudasse.

  7. Jesus foi fortalecido por 40 dias no deserto.

  8. Os discípulos foram transformados por 40 dias ao lado de Jesus, após sua ressurreição.

Isso é uma falsa apresentação das escrituras. A Bíblia não ensina, como Rick Warren sugere, que sempre que Deus quis usar alguém, Ele levou 40 dias.

1. “Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus.” (Gênesis 6:9) Não foram os 40 dias de chuva que transformaram Noé, como Rick Warren injustamente sugere: Noé já estava preparado quando as chuvas vieram! Ele havia passado aproximadamente 100 anos construindo a arca e havia pregado a justiça. “E não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios.” (II Pedro 2:5)

Os 40 dias de chuva eram o julgamento de Deus sobre a perdida e violenta raça humana e não um tempo de preparação ou transformação para Noé. “E viu o senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobe a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até o animal, até o réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do senhor. Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus. E gerou Noé três filhos: Sem, Cão e Jafé. A Terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. E viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a terra. Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra.”(Gênesis 6:5-13, ênfase adicionada).

2. Moisés não foi chamado no Monte Sinai para ser transformado conforme a declaração de Rick Warren. Moisés, o jovem hebreu impetuoso que matou um homem sobre as areias do Egito, foi transformado através dos 40 anos nos quais pastoreou as ovelhas de seu sogro. Moisés soube, enquanto ainda estava no Egito, que Deus estava o chamando para resgatar Seu povo, porém o próprio povo não o sabia. “E ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam.” (Atos 7:25). O problema era que Moisés, assim como muitas igrejas nos dias de hoje, estava tentando fazer as coisas através de suas próprias forças. É maravilhoso o que 40 anos no deserto, sozinho com Deus, podem fazer a um homem.

E quando Moisés ficou pronto para fazer aquilo para que Deus o tinha chamado?

Quando ele encontrou Deus na sarça ardente. Isto fica claro pelo que Deus disse para Moisés naquele momento: “Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó para que tires o meu povo (os filhos de Israel) do Egito.” (Êxodo 3:10)

Veja a resposta de Moisés: “Então Moisés disse a Deus: Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êxodo 3:11)

Uau! O jovem Moisés imprudente e impetuoso se fora! Agora Deus tinha um homem que pode usar e enviar… de fato, um homem humilde: “E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra.” (Números 12:3)

Moisés não subiu o Monte Sinai para ser transformado por Deus, as escrituras mostram claramente que ele subiu para receber a lei, e em obediência a Deus. “Então disse o Senhor disse a Moisés: Sobe a mim ao monte, e fica lá; e dar-te-ei as tábuas de pedra e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para os ensinar.” (Êxodo 24:12)

Moisés permaneceu no monte por 40 dias e 40 noites? Sim! Mas não para ser transformado. Ele tinha muito, muito mais a fazer compreendendo o comando de Deus “sobe a mim”.

3. Rick Warren declara que “os espias foram transformados após 40 dias na Terra Prometida”. Sim, eles foram! Dez voltaram e, sendo incrédulos, apresentaram um relatório horrível às pessoas. Apenas dois, Josué e Calebe, permaneceram fiéis conforme as escrituras registram: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança.” (Números 14:24)

Os 40 dias que os espias passaram naquela terra acabaram saindo inacreditavelmente caros para os 10 que voltaram com más notícias porque eles foram atingidos por uma praga e morreram: “Aqueles mesmos homens que infamaram a terra, morreram de praga perante o Senhor.” (Números 14:37). Ainda por cima Israel teve de gastar um ano para cada dia que os espiões estiveram vagando pelo deserto: “Segundo o número de dias que espiastes esta terra, quarenta dias, cada dia representando um ano, levareis sobre vós as vossas iniqüidades quarenta anos, e conhecereis o meu afastamento.” (Números 14:34)

4. A afirmação de Rick Warren sobre Davi ter sido “transformado pelo desafio de Golias, proferido por 40 dias” também são uma grande balela. Se o senhor Warren houvesse analisado essa afirmação pelo contexto bíblico, teria concluído que Davi foi enviado por seu pai para levar mantimentos a seus irmãos mais velhos, que estavam com o Rei Saul e os exércitos de Israel. Davi não chegou até o último dia de escarnecimento e desafio de Golias sobre Israel… ele nem mesmo sabia de tais fatos antes de sua chegada!

Quando finalmente Davi chegou às linhas de batalha, aí então soube e se encheu de indignação pelo fato daquele Filisteu incircunciso estar desafiando os exércitos do Deus vivo.

 Davi definitivamente não foi transformado durante os 40 dias de escárnios de Golias. Davi era um homem segundo o coração de Deus… Na realidade, podemos ver isso no dia em que Samuel ungiu Davi como Rei e o Espírito do Senhor veio sobre ele em poder: “Então Samuel tomou o chifre do azeite, e ungiu-o no meio de seus irmãos; e desde aquele dia em diante o Espírito do Senhor se apoderou de Davi; então Samuel se levantou, e voltou a Ramá.” (I Samuel 16:13)

5. Somos então levados a crer que Elias foi transformado quando Deus lhe deu uma única refeição que lhe deu força por 40 dias. Não duvido por um segundo que Deus possa dar a força para 40 dias em uma única refeição, ou até mesmo 80 se Ele assim o quiser… mas não é disso que essa passagem trata.

Quando Elias chegou a Horebe, entrou na caverna para passar a noite. A palavra do Senhor veio a Elias, “O que fazes aqui, Elias?”. Este questionamento tinha por objetivo revelar os pensamentos e sentimentos ocultos no coração de Elias.

Elias respondeu: “Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada, e só eu fiquei, e buscam minha vida para ma tirarem.” (I Reis 19:10). As palavras desesperadas de Elias também estavam cheias de um senso de vingança, para que o Todo Poderoso deveria castigar os idólatras imediatamente. Por não haver visto o resultado de seu zelo, Elias pensou que tudo estava perdido. O pobre Elias quis reformar as coisas através do choque, o que não seria o modo gentil que Deus algumas vezes procura usar em Sua graça.

Quando trazido a entender estas coisas durante seu encontro com Deus e então ele pôde retornar pelo caminho por onde viera, conforme as instruções de Deus. E o cerne da questão não era a refeição que o deu forças por 40 dia, afinal tal evento, apesar de incomum, não fez nada para mudar a condição de Elias.

Tenho refletido bastante sobre esta passagem tão rica e significativa. Há tantas coisas importantes em I Reis 19 que eu pediria que, por favor, você fosse lá e lesse com bastante atenção.

6. A cidade de Nínive foi transformada quando Jonas passou por ela falando sobre o julgamento que Deus enviaria sobre a cidade dentro de 40 dias e que iria destruí-la completamente. Isto novamente trata do julgamento de Deus, do fato da cidade haver se arrependido de seus pecados cobrindo-se de saco e cinzas e então ter recebido a graça de Deus por mais um tempo.

“E Deus viu as obras deles, como se converteram de seu mau caminho, e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado que lhes faria, e não o fez.” (Jonas 3:10) Creio que todos sabem que, mais tarde, Nínive foi realmente destruída por Deus por causa de sua maldade.

7. Rick Warren também declara que Jesus foi fortalecido por seus 40 dias no deserto. Novamente nos defrontamos com uma manipulação do texto bíblico. Na verdade, as escrituras esclarecem (em três dos quatro evangelhos) que o Espírito Santo desceu em uma forma corporal no batismo de Jesus. O evangelho de João nos conta que João Batista viu o Espírito descer e permanecer com Jesus neste evento, e pôde saber quem Jesus era: “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo. E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.” (João 1:32-34)

Jesus foi capacitado em seu batismo pelo Espírito Santo e não após os 40 dias no deserto, que foram um tempo de provas e tentação ordenado pelo Pai, dirigido pelo Espírito e cumprido pelo Filho. O texto de Lucas diz: “Então, pela virtude do Espírito Santo, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.” (Lucas 4:14), porém isto não é uma prova de que Jesus foi capacitado por seu período de jejum. É a prova de que ele foi capacitado pelo Espírito Santo.

E quando o Espírito veio sobre ele?

Em seu batismo!

8. Então Rick Warren tenta nos fazer crer que os discípulos foram transformados pelos 40 dias que passaram com Jesus após sua ressurreição. Novamente não há evidência bíblica para isso, pois na realidade os discípulos, no dia de Pentecostes, foram transformados de homens assustados e amedrontados em corajosos pregadores da palavra. Foi a vinda do Espírito Santo que os transformou: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:49) e “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” (Atos 1:8).

A Bíblia definitivamente não ensina que Deus levará 40 dias para preparar pessoas para O servirem. Essa nada mais é que uma manipulação das escrituras para convencer o leitor da importância deste livro.

O número 40 é muito significativo nas escrituras, pois é ligado a tentações, provas e julgamento:

Os 40 dias de dilúvio foram um julgamento.

Os 40 anos de Moisés no deserto foram de teste, treinamento e humilhação.

Os 40 dias onde Golias escarneceu de Israel eram para teste e julgamento de Israel.

Os 40 anos em que Israel vagou pelo deserto tiveram a ver com testes e julgamento.

Os 40 dias no Monte Sinai foram para que Moisés recebesse a lei, assim como um teste para o povo: iriam eles permanecer fiéis a Deus durante a ausência de Moisés? E eles não foram… e então Deus fez o julgamento.

O SEGUNDO DIA

Rick Warren afirma na página 22: “Seus pais podem não tê-lo planejado, mas Deus certamente o fez.”

No mundo de hoje, onde muitos milhares de bebês nascem fora do matrimônio, a declaração acima atribui estes nascimentos aos planos de Deus, tornando então Deus responsável pelo pecado no qual esses bebês foram concebidos. Deus não planejou que crianças nascessem fora do casamento: tais nascimentos são resultados do pecado e não de um planejamento divino.

Rick Warren usa a passagem de Salmos 138:8a (“O Senhor cumprirá seu propósito para comigo.”) da NVI fora de seu contexto somente para fortalecer suas idéias para o dia. Ele começa construindo um esboço de Deus planejando-o e não se surpreendendo por seu nascimento e então afirma: “Você está vivo porque Deus quis criar você.” Só então ele liga isso a Salmos 138:8… e isto está errado! Esta parte do salmo fala sobre Deus estar livrando Davi de seus inimigos! Vejamos o verso 7: “Quando estou cercado de perigos, tu me dás segurança. A tua força me protege do ódio dos meus inimigos; tu me salvas pelo teu poder.” (Salmos 138:7)

Rick Warren usa só a primeira parte do verso 8 e ao fazer isso corrompe o conteúdo original do verso, que é concluído com Davi dizendo: “O teu amor dura para sempre, Ó Senhor Deus. Não abandone o trabalho que começaste.” O senhor Warren não poderia usar esta parte do verso 8 porque não se ajustaria a sua tese, pois o verso 8 deve ser ligado ao verso 7.

Novamente, na página 23, ele enfatiza que “muitos filhos não foram planejados pelos pais, mas não são um imprevisto para Deus”. Isso é mais uma mentira deslavada. Deus não planeja o pecado e não influencia para que este ocorra. O desejo de Deus para as crianças é que nasçam dentro dos planos do matrimônio. Porém, se assim não ocorrer, o amor de Deus será com eles assim como é para com as outras pessoas.

Deus os conhece antes que eles nasçam? Sim.

Ele está com eles desde o útero materno? Sim.

Ele planeja os bebês ilegítimos? Não: eles são resultados do pecado!

Rich[1] Warren arrasta seu tema pela página 23 e afirma: “O motivo para Deus tê-lo criado foi o amor que ele tem.” E, sim, esta afirmação é parcialmente correta, porém ele então cita: “Muito antes de estabelecer as fundações da terra, Deus já nos tinha em mente, tendo nos escolhido como foco de seu amor.” (Efésios 1:4a) como seu “texto de prova… e isso é um abuso descarado das escrituras. Novamente ele apresenta apenas a metade do verso e mais uma vez completamente fora do contexto!

Esse verso fala sobre a eleição soberana de Deus para aqueles que crêem e é endereçado apenas aos crentes! A palavra “eleger” em grego é eklegomai (eklegomai) e significa “selecionar, escolher”. Esta é uma declaração definitiva sobre a graça eletiva de Deus relativa aos crentes em Cristo e, posta em seu contexto legítimo, apresenta os eleitos como santos e inocentes. Isto não é um verso, como usa Rick Warren para nos levar a crer que Deus escolhe criar todo e qualquer tipo de ser humano só porque Ele nos ama a todos.

Na página 24 Rick Warren cita: “Vocês, a quem tenho sustentado desde que foram concebidos, e que tenho carregado desde o seu nascimento. Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e os levarei; eu os sustentarei e os salvarei.” (Isaías 46:3-4), mas antes disso comenta: “Há um perfeito amor na irmandade da Trindade, então Deus não precisou criá-lo. Ele não estava só. Mas quis fazê-lo para expressar o seu amor.” E só então o verso é citado… novamente completamente fora do contexto e de seu real significado. Este verso não é sobre Deus criando seres humanos individualmente para expressar seu amor, mas Rick Warren deliberadamente “derruba” a primeira parte do verso 3, onde está escrito: “Ouvi-me, ó casa de Jacó, e todo o restante da casa de Israel, vós a quem…” O assunto tratado aqui é sobre Israel e Jacó! O pior é que Rick Warren não informa na parte de trás de seu livro que excluiu esta primeira parte, causando má compreensão a maioria das pessoas que não iriam consultar tais versos! Se isso não é um engano deliberado, por que Rick Warren usa o sistema “parte a” e “parte b” algumas vezes e não em outras?

Deve ser para ocultar o fato de que tais versos foram tirados de seu contexto… Por que mais alguém faria isso?

[1] Nota do Tradutor: Talvez por engano, o autor grafou “Rick Warren” como “Rich Warren”. Em inglês o termo “Rich” significa “Rico”, que é a situação do autor desses livros após a impressionante quantidade de edições vendidas.

3º E 5º DIAS

DIA 3

Sob o título “Muitos são dirigidos pela necessidade de aprovação”, Rick Warren escreve na tentativa de merecer a aprovação de outras pessoas, incluindo amigos, pais e professores. Então ele faz a seguinte declaração: “Não conheço todas as chaves do sucesso, mas uma chave para o fracasso é tentar agradar a todos. Ser controlado pelas opiniões dos outros é uma forma segura de deixar de lado os propósitos de Deus para sua vida. Jesus disse: Ninguém pode servir a dois senhores.” Embora os pensamentos que Rick Warren está expressando possam parecer bonitos e sonoros, ele novamente citou as escrituras fora de seu contexto para dar “base” à suas idéias.

O verso encontrado em Mateus 6:20-24 é parte da passagem conhecida como “Sermão do Monte”, e este verso está no meio do momento em que Jesus fala sobre acumular tesouros no céu, e não na terra, porque onde está seu tesouro, lá estará seu coração. Jesus também afirma: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6:24).

Estes versos não têm nada a ver com tentar ganhar a aprovação dos outros!

E ainda novamente, Rick Warren pega o início do verso sem citar o verso inteiro, mas nas notas do final do livro dá a entender que o verso foi apresentado na íntegra ao leitor. Realmente, para colocar o verso 24 em qualquer tipo de contexto, o mínimo que uma pessoa deve fazer é ler do verso 19 ao verso 34.

Já que o verso 25 começa com a expressão “Por isso…”, logo se nota que está relacionado aos versos anteriores e é uma continuação do pensamento e da fala de Jesus.

Tirar a primeira parte do verso 24 e relacioná-la com a tentativa de agradar os outros (na tentativa de conseguir a aprovação dos outros!) mostra uma exegese incrivelmente pobre.

 No início da página 30 há uma citação de Provérbios 13:7 (na versão “The Message”) que desvirtua completamente o significado original do texto.

Esta versão diz: “A vida vistosa e arrogante é vida vazia; a vida simples e comum é vida plena.”

A versão Corrigida e Revisada de João Ferreira de Almeida diz: “Há alguns que se fazem de ricos, e não têm coisa nenhuma, e outros que se fazem de pobres e têm muitas riquezas.”

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz: “Algumas pessoas não têm nada, mas fazem de conta que são ricas; outras têm muito dinheiro, mas fingem que são pobres.”

Como podemos ver, a versão escolhida por Rick Warren deixa muito a desejar com este verso.

O mesmo problema já havia aparecido no 1º dia (página 18) onde novamente a versão “The Message” confunde completamente o significado da mensagem original contida em Mateus 16:25. Veja:

“The Message”: “Auto-ajuda não é em absoluto uma ajuda. Sacrificar-se é a forma, a minha forma, de você achar a si mesmo, seu verdadeiro eu.”

VCRJFA: “Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.”

NTLH: “Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira, mas quem esquece a si mesmo por minha causa terá a vida verdadeira.”

DIA 5

Na parte intitulada “A vida na terra é um teste”, Rick Warren usa a ilustração do rei Ezequias (página 39). Ele cita: “Deus o deixou, para prová-lo e para saber tudo o que havia em seu coração.” (II Crônicas 32:31). A palavra hebraica para “teste”, neste caso, é “nasa”, significa “testar, provar caráter ou fidelidade” e neste caso está corretamente empregada. Porém, ainda no mesmo subtítulo, logo abaixo, Rick afirma: “A boa notícia é que Deus quer que você passe nos testes da vida, então ele jamais permitirá que você enfrente testes maiores que a graça que ele lhe concede para lidar com eles.” E cita: “… mas Deus cumpre a sua promessa e não deixará que vocês sofram tentações que vocês não têm força para suportar.” (I Coríntios 10:13).

A palavra tentação, no original grego peirasmos (peirasmos) não se refere a um teste por parte de Deus, mas sim às tentações da parte de Satanás. Ligar o teste feito com o rei Ezequias a esta passagem sob a premissa de que Deus algumas vezes irá nos testar, conforme faz Rick Warren neste exemplo, está completamente errado.

Há duas coisas completamente diferentes ocorrendo nesses versos: em um há teste e em outro há tentação. Deus pode ser responsabilizado caso venhamos a ser testados, como foi o caso de Ezequias, mas ele certamente não deve ser nunca envolvido caso sejamos tentados, conforme lemos em Tiago 1:13-14: “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”

Tomar o verso de I Coríntios 10:13 e colocá-lo no contexto de “testes” como Rick Warren fez é subverter o significado do verso bíblico a respeito das tentações. Mais adiante, no Dia 27 (página 187), Rick Warren usa este mesmo verso em relação às tentações, sob o título “Derrotando a Tentação”, mas agora ele utiliza o verso em seu contexto correto, isso somente porque é dito exatamente o que ele quer que seja dito nesse dia… isso é uma manipulação deliberada da palavra de Deus para que esta sirva a seus próprios interesses.

Rick Warren então inicia um novo subtítulo: “A vida na terra é um incumbência de confiança”, onde então diz (página 40): “O primeiro serviço que Deus deu aos humanos foi administrar e cuidar das “coisas” dele sobre a terra. Dessa função o homem jamais foi exonerado. E é parte de nosso propósito atualmente. Tudo de que nós desfrutamos deve ser tratado como uma incumbência de confiança que Deus nos pôs nas mãos.” Aí então ele se refere a I Coríntios 4:7b. Rick Warren está completamente correto: a humanidade é responsável por cuidar da terra e as escrituras apresentadas para afirmar isso também estão corretas: Gênesis 1:28. No entanto o texto de I Coríntios 4:7b que é utilizado para respaldar esta tese não tem nada a ver com o que Rick Warren está discutindo nesta lição do Dia 5. Novamente ele tirou esse verso de seu contexto original só para resguardar suas idéias.

Este verso de I Coríntios faz parte de um gentil alerta ou reprimenda que Paulo faz contra o orgulho e a vaidade. Esta passagem é direcionada aos membros da igreja de Corinto, que estavam ostentando sobre quem os havia convertido e batizado, enquanto Paulo preferiu que considerassem qualquer diferença que houvesse entre eles como não procedente de Deus, mas dos homens, e que se eles haviam desfrutado de algum benefício ligado a seus respectivos ministros (apóstolos), que então eles haviam recebido isto de Deus e por isso não deveriam estar se enchendo de orgulho. Na realidade esta é a continuação do tema que Paulo escreve no capítulo 1:11-17, onde alguns estavam dizendo “eu sigo Paulo” e outros “eu sigo Apollo” a ainda outro “eu sigo Cefas” e outro ainda “Eu sigo Cristo” (isso no verso 12). O restante dessa passagem eu sugiro que leia para você mesmo, do verso 13 ao verso 17.

Paulo não estava falando sobre a responsabilidade de cuidar das “coisas” de Deus… Paulo estava lidando com o que os Coríntios haviam recebido de Deus pelos apóstolos: sua salvação e seu errôneo orgulho por aquela salvação.

7º E 8º DIAS

DIA 7

Este dia nos apresenta um ensinamento particularmente antibíblico a respeito da salvação. A versão de Rick Warren para o evangelho, como mostrado a partir da página 48, é profundamente problemática. Do dia 1 até o dia 6 parece que há um preparo para o dia 7, quando se supõe que os “não-crentes” que estiverem lendo este livro estejam prontos para convidar Jesus para entrar em seus corações. Então ele lhes dá um texto que deve ser “orado” para que se receba a salvação. Aqui está a oração:

“Jesus, em ti eu creio e te recebo.”

Então ele complementa: “Se você fez essa oração com sinceridade, parabéns! Bem-vindo à família de Deus!” Eu não sei se isso também ocorre com vocês, mas meu coração fica aflito diante deste falso evangelho que na verdade NÃO É EVANGELHO NENHUM!

Onde está o ARREPENDIMENTO? Jesus, o maior pastor evangélico do mundo, veio pregando o arrependimento (Mateus 4:17). Pedro pregou o arrependimento (Atos 2:38). Paulo pregou o arrependimento (Atos 20:21).

Onde está a CONFISSÃO DOS PECADOS? (I João 1:9)

Onde está A CRUZ? (I Coríntios 2:2)

Onde está O FILHO DE DEUS CRUCIFICADO? (Atos 2:36)

Onde está O SANGUE QUE NOS LIMPA DO PECADO? (I Pedro 1:18-19; Apocalipse 1:5)

Onde está O SALVADOR RESSURETO? (II Timóteo 2:8; Lucas 24:6)

Na verdade, desde o primeiro dia que estas coisas não são mencionadas em nenhum dos relatos sobre o que Cristo fez por nós.

Isso é a inacreditavelmente triste “decepção do buscador amigável”. Li uma citação de James McDonald, respondendo sobre o movimento “buscador amigável” e realmente gostei do que ele disse: "O movimento dos buscadores, também pode ser chamado de ‘Como Encher Sua Igreja com Joio’”.

Há mais verdade nesta declaração do que em todo o “não-evangelho” de Rick Warren. E o que mais me entristece é que milhares de pastores e líderes estão apresentando este livro a suas congregações como algo de valor.

DIA 8

Ninguém precisa procurar a fundo para encontrar sérios problemas com a exegese de Rick Warren novamente neste capítulo. No subtítulo “Dar prazer a Deus é o que se chama adorar” ele nos dá algumas poucas palavras retiradas de João 4:23. Na página 58 ele afirma: “A razão pela qual Deus nos fez com esse desejo é que ele anseia por adoradores! Jesus disse: São estes os adoradores que o Pai procura.”[2] Mais uma vez o texto bíblico é subvertido de acordo com “a suprema vontade” de Rick Warren: o texto não apenas é tirado completamente de seu contexto, mas também é mutilado para poder servir aos propósitos do autor.

No final do livro, nas notas finais onde as referências bíblicas são listadas, não há indicação de que versão foi utilizada para esta citação… e eu preciso saber o motivo? Tenho 23 versões diferentes da Bíblia a minha disposição, incluindo a Versão Grega Interlinear e o Novo Testamento em grego dos manuscritos originais: eu verifiquei todas e cada uma delas e nenhuma tem “The father seeks worshipers” (“São estes os adoradores que o Pai procura” na versão brasileira) em parte alguma ou em qualquer outro lugar!

Esta passagem fala sobre adorar a Deus em espírito e em verdade, e quem faz isso é o tipo de adorador que Deus está procurando. Rick Warren corrompe todo o sentido desta passagem.

Na página 59 ele afirma: “Deus ama todos os tipos de música porque ele inventou todas – rápidas e lentas, altas e suaves, antigas e modernas. É provável que você não goste de todas, mas Deus gosta! Se ela é oferecida a Deus em espírito e em verdade, então é um ato de adoração.”

Isto está errado e é antibíblico. A razão para a maioria das pessoas gostar de adoração com volumes estrondosos, adoração no ritmo “rock” e outras formas de música que são ofensivas a Deus é que estes estilos satisfazem seus próprios desejos. Deus definitivamente não inventou todos os tipos de música como Rick Warren sugere, a própria música pode muito bem ser um presente de Deus, mas Deus não inventou o “Rock’n’Roll”, o “Heavy Metal” e nem o “Rap”… estes estilos e outros como eles surgiram a partir da natureza sensual e pecaminosa do homem.

Em Hebreus 12:28-29 podemos ler: “Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e piedade; Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.” O verso 29 é uma citação direta de Deuteronômio 4:24, onde Moisés adverte às pessoas sobre a idolatria e nós o encontramos quando diz: “Porque o Senhor teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso.” É interessante notar que o escritor de Hebreus busca esse verso e o injeta nas recomendações sobre adoração como uma advertência para a Igreja, para que nós tenhamos um melhor entendimento do que Deus julga como adoração aceitável. Qualquer parte de nossa adoração que seja para nosso próprio prazer, nossa própria satisfação ou entretenimento não pode ser considerada como adoração aceitável, pois não está focalizada em Deus, mas em nós mesmos… e portanto não está sendo realizada “em espírito e em verdade”.

Por favor, mantenha essa idéia em mente enquanto cito várias passagens do primeiro livro de Rick Warren, “Uma Igreja com Propósitos”, onde ele encoraja os jovens pastores a abandonar os louvores mais tradicionais em prol do Jazz ou do Rock ou de qualquer coisa que “ligue” as pessoas!

Ele encoraja as igrejas a imitar a cultura e “não ligar” para a igreja.

Será que esse conceito é o mesmo dado em Romanos 12:2, onde lemos: “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação de vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”? E diante de “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus”, que é o texto de Tiago 4:4?

Outra declaração absurda do livro “Uma Igreja com Propósitos” encontra-se na página 263, onde lemos: “Se você não determinar propositadamente o tipo de atmosfera que quer criar em um culto, está lançando mão da sorte.” Esse conselho parece uma forma de manipulação psíquica para mim… e onde o Espírito Santo conduz o culto?

“Tinha de tudo: música clássica, country, jazz, rock, reggae, e até rap. A multidão nunca sabia qual seria o próximo estilo. Resultado: frustramos a todos!” (página 272) / “A Saddleback é, sem dever desculpas a ninguém, uma igreja com música contemporânea. Muitas vezes a imprensa se refere a nós como “o rebanho que gosta de rock”. Usamos o estilo que a maioria das pessoas de nossa igreja ouve no rádio.” (página 276) / “Admito que perdi centenas de membros em potencial devido ao estilo de música que adotamos. Por outro lado, atraímos milhares por causa de nossa música.” (página 277, grifo do tradutor) … idéias muito interessantes: e eu pensava que Jesus era a atração principal em uma igreja…

“Saddleback tem agora uma orquestra completa” / “Saddleback now has a complete pop/rock orchestra!” (página 281)[3]

“De vez em quando, me pergunto quantas pessoas a mais eu não teria conseguido alcançar nos primeiros anos se tivéssemos a qualidade atual dos teclados em nossos cultos.” / “I sometimes wonder how many more people we might have reached in our early years if we’d had MIDI-quality music in our services.” (página 281)

Parece que se dá muito mais ênfase ao tipo de música que as pessoas querem e gostam do que à “adoração em espírito e em verdade”. Rick Warren diz uma coisa em “Uma Igreja com Propósitos” e outra completamente diferente em “Uma Vida com Propósitos”. De um lado diz que devemos adorar em espírito e em verdade, mas do outro ele negocia, dando às pessoas o que elas gostam. Isso não é adoração centrada em Deus: Isso é adoração ao homem!

[2] Nota do Tradutor: Na versão em inglês, o texto aqui representado como sendo as palavras de Jesus é “The father seeks worshipers”, ou seja, apenas quatro palavras não encontradas na Bíblia.

[3] Parece que o tradutor do livro não quis incluir a referência ao "pop rock" na versão brasileira…

CONCLUSÃO

Analisei apenas os oito primeiros dias desse livro, mas eles já são mais do que uma boa indicação do tom e dos problemas encontrados por todo este livro. Estes problemas não são encontrados apenas nos oito primeiros dias, mas continuam aparecendo por toda a extensão da obra. Creio que seria uma futilidade revisar o livro inteiro, assim como creio que qualquer um com a mente aberta e verdadeiro amor pela palavra de Deus verá por esta apresentação que há sérios problemas com Rick Warren, não só neste livro, mas com toda a sua teologia e exegese.

Eu não recomendo este livro. Sei que há aqueles que podem achar que esta análise é crítica e sem amor, que há bons pontos em “Uma Vida com Propósitos”. Também haverá aqueles que dizem que nós não devíamos julgar os outros e eu aceito isso de coração. Porém as escrituras se referem a julgar doutrinas, falsos mestres ou falsos profetas. Na verdade, o Novo Testamento faz tantas menções a doutrinas erradas quanto ao procedimento a ser tomado a respeito de condutas erradas. Por quê? Porque doutrina errada leva a conduta errada.

Paulo na verdade dá nomes às pessoas responsáveis por doutrinas erradas: II Timóteo 2:17-18, II Timóteo 4:14, I Timóteo 1:20 e em Gálatas 1:8-9 Paulo diz “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.”

A coisa mais desamorosa que poderíamos fazer é deixar de advertir as pessoas sobre o falso ensino. Os crentes são comandados pelo próprio Jesus Cristo para não julgar segundo a aparência, mas julgar segundo a reta justiça (João 7:24). A Bíblia ensina muito claramente e por várias vezes que o homem pode ser enganado. Falsos mestres não estão somente enganando os outros, mas também sendo enganados (II Timóteo 3:13). Deus exige que cada um de nós esteja discernindo da doutrina e ensinando.

Deus deseja que a igreja seja protegida dos falsos mestres e de seus ensinamentos (Atos 20:27-31; II Timóteo 3:13; I João 4:1-6). Quando usamos de discernimento e comparamos todos os ensinamentos com a Palavra de Deus, então, na realidade, não somos nós que estamos julgando, mas a Palavra do próprio Deus. E esta deve ser sempre a norma para exames de doutrinas: se não estiver alinhada com a Palavra de Deus, então é falso ensino e nós devemos evitar isso.

Também pode haver aqueles que digam: “OK… está tudo bem, mas um dos “grandes” deveria ter visto isso. Alguém deveria ter se tocado!” Este é um argumento que usamos para nos sentirmos melhor conosco mesmos… é agindo assim podemos evitar confrontar a absoluta verdade da Palavra de Deus. Deus não faz e nunca fará julgamento de nada apenas por seu resultado final: ele sempre julgará as coisas pela Verdade e a Luz de Sua Palavra.

Deus, o Pai é o único e verdadeiro Deus. (Jeremias 10:10; João 17:3)

Jesus disse: “eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (João 14:6)

O Espírito Santo é primeiramente o Espírito de Verdade. (I João 5:6)

Sendo as três pessoas da trindade a Verdade, como Deus pode aceitar qualquer coisa que não seja a verdade? Porque se agisse assim, seria contrário a tudo aquilo que Deus é.

O fato das pessoas serem tocadas não é uma indicação da benção de Deus, ou até mesmo de que haja algo de valor… é simplesmente o cumprimento da promessa de Deus, que Sua Palavra não retornará vazia. (Isaías 55:11)

APÊNDICE

Mesmo apenas como tradutor sou forçado a apresentar mais um pouco do livro original de Rick Warren (ainda em inglês), revelando como o tradutor do livro “ocultou” o verdadeiro significado de uma expressão e, finalmente mostrar ao que o Senhor Warren está se referindo nas páginas 79 (orações de um fôlego) e 259 (nada além de um murmúrio) da versão brasileira. Aqui está a versão original:

The Bible tells us to `pray all the time.” How is it possible to do this? One way is to use "breath prayers" throughout the day, as many Christians have done for centuries. You choose a brief sentence or a simple phrase that can be repeated to Jesus in one breath: "You are with me." "I receive your grace." "I'm depending on you." "I want to know you." "I belong to you." "Help me trust you." You can also use a short phrase of Scripture: "For me to live is Christ." "You will never leave me." "You are my God." Pray it as often as possible so it is rooted deep in your heart. Just be sure that your motive is to honor God, not control him. (p.58 versão em inglês)

Begin asking the Holy Spirit to help you to think of the spiritual need of unbelievers whenever you talk to them. With practice you can develop the habit of praying silent "breath prayers" for those you encounter. Say, "Father, help me to understand what is keeping this person from knowing you." (p.190 versão em inglês)

E agora como ficou no livro traduzido para o português:

A Bíblia nos diz: Orem continuamente. Como isso é possível? Uma forma é utilizar “orações de um fôlego” ao longo do dia, como muitos cristãos têm feito durante séculos. Você escolhe uma frase curta que pode ser repetida para Jesus em uma respiração: “Tu estás comigo”; “Eu recebo a tua graça”; “Eu dependo de ti”; “Eu quero conhecer-te”; “Eu pertenço a ti”; “Ajuda-me a confiar em ti”; Você também pode usar uma frase curta da Bíblia: “Para que eu viva em Cristo”; “Jamais me deixarás”; “Tu és o meu Deus”. Faça estas orações com a maior freqüência possível, de modo que fiquem profundamente enraizadas no seu coração. Apenas se assegure de que sua motivação é honrar a Deus, e não controlá-lo. (p.79)

Comece pedindo ao Espírito Santo que o ajude a pensar nas necessidades espirituais daqueles que não crêem toda vez que for falar com eles. Com a prática você poderá desenvolver o hábito de orar silenciosamente, nada além de um murmúrio, por aqueles com quem se encontrar. Diga: “Pai, ajuda-me a compreender o que está impedindo essa pessoa de conhecer você”. (p.259)

Opa! Aqui vemos o tradutor dando uma “aliviada” no termo grifado "breath prayers”… querem saber o motivo? Acho que o tradutor brasileiro não pôde concordar com o conceito que o Senhor Rick Warren está querendo divulgar através deste livro. E que conceito é este?

Vamos até o site http://www.pcusa.org/youthministry/spirituality/prayers.htm, site da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, e vejamos a definição dada para este termo. Lembrem-se: este é um site oficial de uma igreja que se diz cristã e evangélica!

BREATH PRAYER – A CONTEMPORARY VERSION OF THE JESUS PRAYER

In Hebrew the words for breath and spirit are the same word, ruach. A breath prayer, when used over time, can help us to experience what it means in Romans 8: 26-27 for "the Spirit to pray in us." It is a short prayer that can be said or thought in a single breath.Yoga "Gospel"... lixo espiritual!

HERE'S A WAY TO DEVELOP YOUR OWN BREATH PRAYER:* Imagine Jesus standing in front of you, asking you, "What do you want me to do for you?" Go deep inside yourself and allow your response to emerge from that place of profound hope and prayer. If several things emerge, try to identify the root desire beneath all the others.

Now identify a name that you normally use for God in prayer. It might be Lord, Jesus, Almighty One, Spirit of God, Most Holy God. Find your name for the divine being.

Combine your desire with your name for God in a single short phrase that flows easily in your mind. You may need to experiment with phrasing to find a comfortable rhythm.

Sit quietly and repeat the phrase gently in your mind for several minutes. Allow the prayer to take on the shape of your breathing so that the words accompany your every breath.

Take a walk, repeating your prayer while you move. Note how the prayer shapes your perceptions. Allow the prayer to accompany the rhythm of your walking and your breathing.

This prayer can be carried with you through the day. It is a good companion for solitary activities like doing chores, frustrating times like sitting in traffic jams and rhythmic exercises like running, swimming or bicycling.

Sample breath prayers include:

Holy Spirit, fill me.

Give me strength, O Christ.

Father, show me your love.

Teach me patience, gracious God.

My God and my All. (Saint Francis)

Come, Lord Jesus!

*This method is included in Marjorie Thompson's book Soul Feast, Westminster John Knox Press, p. 48.

For more information on the Breath Prayer see Ron DelBene and Herb Montgomery, The Breath of Life, The Hunger of the Heart, and Into the Light (Upper Room Books)

Não gostaria de perder tempo traduzindo esta baboseira, mas creio que será necessário para uma melhor compreensão do engano aqui envolvido:

ORAÇÃO DE RESPIRAÇÃO – UMA VERSÃO CONTEMPORÂNEA DA ORAÇÃO DE JESUS

Em hebraico, a palavra para respiração e espírito é a mesma “ruach”. Uma oração de respiração, quando utilizada por um longo tempo, pode nos ajudar a experimentar o que Romanos 8: 26-27 define como “o Espírito intercede em nós.” É uma oração curta que pode ser dita ou pensada em uma única respiração.Realmente... perdidos!

AQUI ESTÁ UM MODO PARA DESENVOLVER SUA PRÓPRIA ORAÇÃO DE RESPIRAÇÃO:

Imagine Jesus parado em frente a você, perguntando: "O que você quer que eu faça para você?" Vá você bem fundo em você mesmo e permita que sua resposta venha a emergir daquele lugar de esperança profunda e oração. Se várias coisas emergirem, tente identificar o principal desejo sob todos os outros.

Agora identifique um nome que você normalmente usa para Deus em oração. Poderia ser Senhor, Jesus, Todo-poderoso, Espírito de Deus, Santificado Deus. Ache seu nome para o ser divino.

Combine seu desejo com o nome que deu para Deus em uma única frase curta que flua facilmente em sua mente. Você pode precisar experimentar com as frases até achar um ritmo confortável.

Sente com quietude e repita a frase suavemente em sua mente durante vários minutos. Permita que a oração assuma a forma de sua respiração de forma que as palavras te acompanhem a cada vez que respirar.

Dê um passeio, repetindo sua oração enquanto se move. Note como a oração amolda suas percepções. Permita que a oração acompanhe o ritmo de seu andar e de sua respiração.

Esta oração pode ser levada contigo através do dia. É uma boa companheira para atividades solitárias como executar tarefas, tempos frustrantes como estar em um engarrafamento e exercícios rítmicos como corrida, natação ou andar de bicicleta.

Alguns exemplos de orações de respiração:

Espírito Santo, me encha.

Me dê força, O Cristo.

Pai, me mostre seu amor.

Me ensine paciência, gracioso Deus.

Meu Deus e meu Tudo. (São Francisco)

Venha, Senhor Jesus!

Bonitinho isso tudo não?

Porém profundamente antibíblico, buscando injetar a base da filosofia oriental (meditação, repetição) dentro de nossas igrejas. Se você desconhece o perigo de tais métodos sugiro o livro "A Face Atraente do Mal", de Johanna Michaelsen e o documentário "Deuses da Nova Era", que é distribuído pela COMEV.

Em primeiro lugar o verso citado, que se encontra em Romanos 8:26-27, ao ser lido na íntegra, diz: “E da mesma maneira também o Espírito ajuda em nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.”

Uau! É o Espírito Santo de Deus intercede por nós! … e não o espírito humano.

Outro Uau! “Aquele que examina os corações” (que é Deus!!!) sabe qual é a intenção do Espírito!! Note que o “Espírito” mencionado aqui é o Espírito Santo e não o espírito humano, senão estaria grafado em letras minúsculas. Isto torna esse exercício de meditação algo sem justificativa bíblica plausível. Aliás, mais uma prova de que qualquer um que esteja ligado a Rick Warren é capaz de tirar qualquer verso bíblico de seu contexto original para justificar qualquer idéia, por mais louca que seja!

“Acho” (entre aspas porque tenho certeza!) que essa estória de “breath prayers” está em desacordo com a palavra de Deus… e não me surpreende o fato do senhor Rick Warren estar envolvido com isto. O pior ainda está por vir, pois ele ainda tenta apresentar uma justificativa “meia boca” para propagar justificar essa “linha de ação” profana:

A meditação é freqüentemente mal interpretada como algum ritual misterioso e complicado, praticado por ascetas e monges isolados. Mas meditar é simplesmente concentrar os pensamentos – uma habilidade que pode ser adquirida por qualquer pessoa e posta em prática em qualquer situação. (p.80)

Que lindo! A popularização da meditação oriental e do budismo dentro dos meios cristãos evangélicos… e ainda tem a vantagem de ser fácil! Qualquer um pode fazer!!! (Desculpem, mas não consigo evitar o cinismo…)

Vejamos três citações bíblicas bastante interessantes sobre o tema “meditação”:

Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido. (Josué 1:8)

De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus mandamentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti. (Salmos 119:9-11)

Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. (Salmos 1:1-2)

Note que, nas Escrituras, em nenhum momento a meditação é passiva ou repetitiva: a ação praticada é aprender e memorizar a lei do Senhor para que haja benção e se evite o pecado. Vejamos agora palavras ditas pelo próprio Jesus Cristo a respeito de se ficar repetindo “frases feitas” como se fossem orações:

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.” (Mateus 6:7)

Será que esse fato por si só já não é prova mais do que suficiente que esse “gênio do evangelho moderno” está querendo embutir um falso evangelho no meio das igrejas? Será que esse livro, tão indicado como “bom” para e pelos jovens não é uma ferramenta de divulgação de doutrinas estranhas e, porque não afirmar, doutrinas de demônios dentro do corpo de Cristo!

Me impressiona o nível de penetração que esta obra cheia de informações contraditórias, disfarçadas no meio de alguns bons conceitos, em toda a comunidade evangélica… independente de denominação. E este engano não atinge só ovelhas, mas pastores e líderes sucumbem a beleza de tais "idéias revolucionárias". A apostasia está tão próxima que muitos deixam de observar as recomendações da Bíblia:

"E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras." (II Coríntios 11: 14-15)

E você? Ainda acha que “Uma Vida com Propósitos” se enquadra no conceito de “um bom livro cristão”? Como eu disse a um participante de um fórum que freqüento: “Falar coisas boas, qualquer livro espírita fala, né?”

Meus estudos só apresentam o que está escrito na palavra de Deus em contraste com o que este autor apresenta. Eu não posso decidir por você os caminhos que vai tomar em sua vida e em sua igreja, porém reitero que existem obras cristãs muito mais saudáveis, íntegras e válidas que podem ser utilizadas no lugar de toda essa enganação que o senhor Warren nos apresenta.

Que Deus nos abençoe.

Teóphilo Noturno