TRÊS ELOGIOS, UMA REFLEXÃO...
E UMA ENTREVISTA "DE QUEBRA"
Acho que dessa vez foram mais umas três semanas sem publicar algo novo, mas isso não significa que minhas pesquisas estejam paradas: aconteceram muitas coisas: alguns livros, um seminário, uma citação, uma ressalva a ser feita... o Senhor tem agido grandemente em minha vida e dou glórias a Ele por tudo!
Como são muitos textos (e todos com seu significado e importância), talvez eu deva começar por aquele que poderia me expor mais, que deveria ser mais difícil de escrever... mas não foi! Vamos ao texto:
“DIREITO DE RESPOSTA”...
Tudo bem que esse ministério digital começou por causa dos textos absurdos que constatei em alguns livros e também de eventos confusos nos quais estive presente... quem leu as análises divulgadas anteriormente aqui no site sabe ao que estou me referindo.
Admito que haja me esquecido completamente do motivo que me levou a sair de casa e ir até um determinado congresso em janeiro de 2005. Este motivo foi admiração! Simples e puro reconhecimento de uma atitude cristã correta e surpreendentemente humilde e, porque não dizer, até mesmo desconcertante. Vejamos:
Como citei nomes desde o início do site até agora, não posso deixar de citá-los nesse “direito de resposta”. Julgo este texto fundamental não só para o prosseguimento de meu ministério, mas também considero como exemplo para todo e qualquer líder que um dia tenha incorrido ou possa incorrer em algum tipo de erro.
Assisti à fita de um congresso que ocorreu no município de Campos (RJ), onde Ana Méndez discorreu sobre o significado da chamada “Estrela de Davi”... que “de Davi” não tem nada! Mesmo não concordando com o posicionamento dos “améns” nas frases, relevei pelo fato da pregadora não ser brasileira e não cheguei a identificar engano no conteúdo da mensagem. Espero que alguém explique a ela que “amém” significa “que assim seja”, referindo-se apenas às coisas que virão! “Amém” não pode nem deve ser usado no lugar de um pedido de confirmação como “certo?” ou “OK?”... senão ouviremos coisas hediondas como “... e ele glorifica ao diabo, amém?” (Quem responder amém pra essa pergunta merece um peteleco! E o pior que tinha gente que respondia...)
Mas o que mais me tocou e impressionou foi a humildade e a capacidade de arrependimento de Neuza Itioka após esta mensagem: sendo ela a líder de um importante ministério, não se furtou de declarar seu arrependimento. Diante de toda uma multidão ela pediu perdão a Deus e a todos aqueles que ela possa ter liderado em uma direção errônea! Ela havia vendido uns pandeirinhos feitos na forma da tal estrela! Agora não me recordo se ela disse que iria ressarcir àqueles que se apresentassem para a troca, mas mesmo que não o tenha feito, fiquei emocionado com aquela atitude e desprendimento.
Se tal capacidade estivesse presente em alguns de nossos líderes evangélicos (que se julgam infalíveis), certamente o povo de Deus estaria trilhando um caminho mais próximo daquele que foi traçado ao longo das Escrituras. Quando nós, protestantes, falamos algo sobre os católicos e seu “papa infalível”, deixamos de ver quantos “infalíveis” estão liderando igrejas evangélicas hoje em dia! Não estariam as convenções denominacionais agindo tal e qual “mini-Vaticanos”?
Uma mulher que reconhece a importância do arrependimento certamente merece respeito. E foi minha curiosidade pelo ministério exercido por ela que me levou ao Congresso Profético-Apostólico.
O que ocorreu lá e tudo o que tem ocorrido desde então está relatado aqui no site... mas definitivamente espero que entendam:
Minhas análises não visam “derrubar” nem prejudicar nenhum ministério.
Aqui neste site NÃO SE FALA MAL DE PESSOAS.
O objetivo aqui é ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE ANALISAR TEOLOGIAS E MENSAGENS APRESENTADAS DIANTE DO TEXTO BÍBLICO, apresentando apenas os resultados da confrontação e dando sempre ampla e total credibilidade e vantagem à verdadeira e única palavra de Deus.
Concluo este tópico sem a mínima possibilidade de aceitar os “mortos que intercedem” e as outras coisas absurdas que estão escritas no livro de Ana, mas ciente de que o arrependimento não é uma palavra desconhecida para ela. Agora, no mês de julho, haverá outro “megaevento” envolvendo a mesma equipe do Congresso Profético-Apostólico (na cidade de Campinas). Sei que não poderei estar lá, mas espero no Senhor que boas notícias possam chegar até mim.
“Porque há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (I Timóteo 2:5)
“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia” (I Coríntios 10:12)
“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.” (Apocalipse 2:5)
Ao apresentar a fita de vídeo citada acima a um pastor, obtive um comentário bastante “ducha fria”:
— Mas, ao fazer isso, ela perdeu toda a credibilidade!
Na hora eu não respondi... decidi tentar absorver. Havíamos acabado de assistir a um exemplo raro e precioso de arrependimento e ele conseguiu condenar a exposição da verdade!
Hoje, alguns meses após esta data, faço uma dolorosa reflexão sobre tudo que ocorreu a partir daquele momento e percebo o quão longe uma igreja pode ir da palavra de Deus quando seus líderes não têm humildade para admitir seus próprios erros, baseando-se na ciência dos homens e, acometidos da “síndrome da perfeição”, esquecendo da correta interpretação da sã doutrina.
Nessa igreja, um dirigente (e professor da E.B.D... e “vice-presidente” da “empresa”) afirmou, lá do púlpito, que o autor do livro de Apocalipse era João Batista[1]! Não fui eu quem o apresentou a seu próprio erro, mas fui testemunha das providências que foram tomadas para esclarecer esse simples mal-entendido, ou seja, nenhuma! Imagino que até hoje alguns novos convertidos acreditem nessa informação errada...
Nessa mesma igreja, a pouco tempo, tomou-se uma ilustração como doutrina: foi propagada uma dimensão inexistente, supostamente ligada às águias. Descobri que tal referência é o título de um livro que narra o testemunho pessoal de alguém que enriqueceu ao se submeter à vontade de Deus, manifestada através de uma revelação especifica de Deus para aquela vida. Tudo bem que as capacidades de tal ave sejam referenciadas até biblicamente, mas:
1 – Segundo pesquisa no site Bíblia On Line:
Há, constantemente, referências na Bíblia ao espantoso número de aves de presa de todos os tamanhos, que se acham na Palestina e na Arábia.
Em algumas das passagens, onde ocorre a palavra “águia”, teria sido melhor tradução “abutre”. Por exemplo, em Miquéias 1:16, “faze-te calva, e tosquia-te... alarga a tua calva como a águia”, somente se pode referir isto ao abutre, que é desprovido de penas na cabeça e no pescoço, o que é, realmente, uma disposição da natureza, visto como esta ave tem por hábito introduzir a cabeça nas carcaças dos animais mortos. Outra ave denominada “águia” é o abutre grifo, cujo hábito de pousar nas mais altas elevações dos penhascos se acha exatamente descrito em Jeremias 49:16 e Jó 39:27-30.
Nesta última passagem, “seus olhos a avistam de longe”, há uma referência ao quase incompreensível alcance de vista do abutre. Quando um animal cai morto ou ferido no deserto, contam os viajantes que dentro de um espaço de tempo pequeníssimo aparecem estas aves sobre ele, sendo certo que um minuto antes nem uma se via. Uma simples carcaça torna-se, desta maneira, o chamariz de uma multidão de aves de presa (Mateus 24:28).
A força da ave e o seu vôo rápido acham-se mencionados em Jeremias 4:13 e Oséias 8:1.
No Salmo 103:5 há uma referência à sua longevidade e aparente rejuvenescimento.
O seu cuidado de mãe, a que se faz alusão em Deuteronômio 32:11,12, especialmente no ato de encorajar os filhinhos nas primeiras tentativas de vôo, é muito característico da classe de aves a que a águia pertence.
Como a águia voa a grande altura, parecendo aproximar-se do céu, tem sido tomada como um emblema de São João pelo penetrante e profundo conhecimento das verdades divinas, que se nota nos escritos deste apóstolo.
A águia de ouro e a águia imperial são ambas muito conhecidas na Palestina, ainda que não tanto como o abutre grifo, e são principalmente vistas nos vales de rocha e nas alturas de cordilheiras raramente visitadas. O “quebrantoso” de Levítico 11:13 e Deuteronômio 14:17, ou abutre barbudo, tem esse nome pelo fato de levar consigo até às maiores alturas os ossos cheios de medula, deixando-os depois cair sobre as pedras para quebrá-los: uma conhecida tradição afirma que o poeta Ésquilo encontrou inesperadamente a morte pelo fato de uma destas aves ter deixado cair sobre a sua cabeça calva uma tartaruga, julgando que fosse uma pedra.
Outras águias que se vêem na Terra Santa são: a águia morena, a águia de Bonelli e a águia de garras curtas – esta última é a mais comum, alimentando-se de répteis, que ali são notavelmente abundantes.
2 – As águias são citadas cerca de 30 vezes na Bíblia, mas, definitivamente, não têm uma dimensão própria para elas: elas coexistem conosco aqui, na terra... ao contrário dos seres espirituais. Logo podemos claramente concluir que Deus fez os homens para ser homens e as águias para ser, simplesmente, águias. Por maiores que sejam as qualidades dessa ave (que também pode ser classificada como um animal irracional), um homem que pudesse abandonar seu posto de “coroa da criação” e sua “imagem e semelhança” a Deus para se tornar uma águia estaria incorrendo, no mínimo, em uma desfeita ao Criador de todas as coisas... que as criou perfeitas e boas.
3 – “Viver na dimensão das águias”, então, não traz novidade alguma, pois certamente já vivemos. Querer criar uma doutrina baseada nesta frase já seria ruim, mas direcionar tal abordagem única e exclusivamente para a visão financeira é indício de incapacidade criativa... não bastasse estarmos incorrendo no erro da infame “Teologia da Prosperidade”, ainda por cima o fazemos sem base bíblica alguma! Temo que tais referências estejam perigosamente mais próximas do xamanismo e da adoração totêmica do que da verdade contida na palavra de Deus.
4 – O texto de apoio dessa campanha absurda é outro absurdo, principalmente se aplicado de maneira genérica: “Só terei tudo de Deus quando Deus tiver tudo de mim” — Em primeiro lugar tal citação não pode ser encontrada em parte alguma da Bíblia, fato que a torna, no mínimo, suspeita. Em uma segunda análise, mesmo que esteja correta, esta seria uma revelação pessoal e específica de Deus para vida de um servo (“rhema”), não podendo ser aplicada genericamente a uma congregação e, novamente, apenas no intuito financeiro.
O grande problema de algumas igrejas é que elas não confiam o suficiente em Deus e não esperam sua “impressão digital”... ficam querendo copiar métodos e modelos de outras igrejas que “deram certo” e esquecem da ação do Espírito Santo!
Líderes do povo de Deus... vocês se esquecem do claro texto de I Pedro 4:10 (“Cada um administre os outros o dom como recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.”)? Multiforme significa “de diversas formas”! Se Deus é capaz de criar uma impressão digital diferente para cada ser humano, por que não seria Ele capaz de ter um “método de ação” para cada igreja?
Agora, a contaminação pela “síndrome da perfeição” já é tão grande que, mesmo diante da verdade da palavra de Deus, os líderes dessa igreja são (no mínimo) incapazes de reconhecer seus erros e ir até o púlpito (como heroicamente fez Neuza Itioka na fita de vídeo citada anteriormente!) e pedir perdão por ter guiado suas ovelhas pelos caminhos errados... Quando chegam até o ponto de reconhecer o engano, eles preferem “trocar de estratégia” discretamente, mas nunca admitir e confessar seus erros, afinal... isso pode prejudicar a credibilidade deles...
Não estou aqui para criar doutrinas nem lançar “modas”, mas se “síndrome da perfeição” e “revelação - impressão digital” já não existirem, acho que eu deveria registrar os direitos autorais sobre os termos... (isso é brincadeira!) Pena que “O Espírito de Jezabel” já seja o título de um livro, senão eu iria explicar mais coisas sobre essa igreja... (isso é serio!)
Não cito a igreja, não cito nomes, não falo mal de homens... mas não posso deixar de criticar a “teologia” capenga que sustenta algumas igrejas — A credibilidade não é mantida quando se ocultam os enganos, principalmente diante do Deus, pois Ele é o único que tudo vê! Esses erros sem correção sinalizam covardia, insegurança... a típica dificuldade que o ser humano tem de admitir e confessar seus pecados e corrigir seus atos falhos.
Se os próprios líderes não reconhecem, assumem e confessam seus erros, imaginem quão grande “exemplo” eles são para toda a igreja e, pior ainda, como eles poderão esperar que os pecadores arrependam-se de seus erros, se a sua própria vida não testifica nesse sentido?
[1] Para quem não sabe, o Apocalipse foi escrito pelo Apóstolo João (filho de Zebedeu e conhecido como “o discípulo amado”), quando este já era idoso e estava desterrado na Ilha de Patmos. Já seu xará, João Batista (filho de Zacarias e Isabel) foi chamado de “o precursor de Jesus Cristo” e também de “A Voz que clama no deserto”... este morreu decapitado a pedido de Herodiades.
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