Drop Down Menu

Creative Commons License
Texto sob licença Creative Commons

UMA IGREJA CORRETA

GRAÇAS A DEUS!!!

Apesar da ansiedade com que tenho convivido, hoje eu tive o prazer de ir a um culto numa igreja DECENTE!!! Confesso que eu não acreditava que fosse um dia encontrar igrejas ainda dessa forma: um local onde possamos prestar o culto racional ao único e verdadeiro Deus, criador de todas as coisas!

O fato de minha cirurgia ter sido adiada pela 3ª semana consecutiva tem me deixado bastante ansioso. Mesmo dando graças a Deus por todas as coisas e tendo claro conhecimento de que tudo só ocorre no tempo d’Ele… não há como evitar os sintomas que me acometem: mal-humor, retração (fico arredio, sem querer falar com ninguém…), não consigo nem enfrentar situações de trânsito (minha esposa tem dirigido para mim…). Fico até envergonhado: após ter “soado o alarme” de oração para algumas pessoas ter que correr para avisar do adiamento… me sinto um pouco como aquelas crianças que ficam querendo chamar a atenção sobre si. Volto a repetir, não duvido da soberania de Deus e muito menos que tudo vai correr da maneira mais perfeita (ou seja, segundo a vontade d’Ele), mas que eu mesmo estou me achando um chato… isso eu sei!

Talvez, por causa desses sintomas, já saí de casa um tanto que apático, sem esperar grandes coisas… principalmente porque minhas últimas visitas a igrejas foram bastante frustrantes, quando não repugnantes. Qualquer dia desses vou contar algumas das aventuras pelas quais eu e minha esposa temos passado em nossa busca por uma igreja bíblica: coisas escabrosas mesmo!

Chegamos lá cedo e eu fiquei um pouco nervoso quando descobri que iríamos participar da EBD… e ainda por cima numa classe de jovens! Faz muito tempo que eu não entro numa EBD, principalmente depois que (na igreja que eu chamava de “minha”) ela degringolou e passou a basear suas lições em métodos de psicologia ao invés de simplesmente obedecer ao próprio nome: bíblica! Não nutro grandes expectativas pela maturidade espiritual dos jovens e, ao juntar essas duas coisas, me imaginei sendo “torturado” por assuntos pragmáticos e jovens neopentecostais…

Nenhum dos meus temores se realizou! Glórias a Deus!! A lição era baseada na Bíblia! Que maravilhoso: falava sobre os métodos bíblicos para o evangelismo! Fiquei tão feliz que pedi uma revista para folhear e, exultante, pude constatar que todo o conteúdo era embasado na palavra de Deus!!!

E os jovens? Todos ótimos! Pertinentes, interessados, participantes, simpáticos… a maioria das garotas vestidas de forma correta!!! A professora também era uma simpatia! Demos a sorte de nossa visita ter sido simultânea à de um missionário que veio do sul do país! Resumindo: o único defeito foi o tempo não poder ser maior… mas isso não é defeito, é elogio! E no final, o mais surpreendente: alguns jovens ESPONTANEAMENTE vieram nos cumprimentar e conversar conosco… que agradável!

Tivemos que ser breves, pois o culto logo iria começar: nos dirigimos para o pequeno templo, onde as pessoas se assentavam sem balbúrdia, sem aqueles louvores absurdamente altos utilizados para chamar a atenção… um ambiente propício para a oração e o agradecimento por poder desfrutar da manhã de domingo mais maravilhosa que tive nesse ano de 2005!

Minha alegria só aumentou, pois houve ordem no culto! O prelúdio foi uma canção (que eu desconheço) falando sobre o evangelismo no Brasil, executada por coral e piano: não se passou um tempão cantando esses corinhos vazios que os “levitas” fazem questão de reiniciar várias vezes achando que serão ouvidos por Deus pelo número excessivo de repetições.

Ah! Outra coisa: tinha boletim! E, melhor ainda, eles seguiram o boletim!! Não um boletim cheio de “colas” das passagens bíblicas e hinos e corinhos, mas uma informação simples da ordem do culto. Que maravilha! Nada desses “cultos espontâneos” que levam horas e horas numa exibição de santidade que muitas vezes está fora da concordância bíblica…

Na ordem: leitura do Salmo 98, oração, nova apresentação do coral (só com piano!) e chegou mais um ponto que considero de “tensão”: os cânticos. Há pequenas observações a ser feitas, mas prefiro deixá-las para o final: não é nada grave e, afinal, foram apenas dois cânticos e admito que eu me peguei balançando lentamente o próprio corpo, e pude ver que essa “doença” não contagiou o mundo inteiro — Glórias a Deus!!! Havia gente parada!! Gente que consegue cantar e louvar sem ter que ficar dançando e levantando a mão! Aí eu me senti um pouco ridículo e vi como o neo-pentecostalismo contamina até mesmo aqueles que não querem se entregar…

Findos os louvores, hora do ofertório! Sem apelos psicológicos constrangedores, sem historinhas proféticas ou venda da graça de Deus… e, pasmem, sem ofertório (!?!) O dirigente informou que aquele era um ofertório especial para que as crianças entregassem os cofrinhos que haviam preparado para missões e que o ofertório para a igreja só seria na próxima semana! Admito que até agora não entendi isso, pois estava acostumado com o “choro” semanal da igreja que eu freqüentava — era quase meia hora de ataque psicológico coercivo, de ameaças de desgraças, de frases absurdas como “só terei tudo de Deus quando Deus tiver tudo de mim” (… isso é rhema!!! E não regra!) — para se vender as bênçãos de Deus para os “clientes”. Estou pasmo por uma igreja que faz recolhimento de dízimos e ofertas com uma base diferente da maioria, ou seja, toda a hora que junta gente!

Nesse momento tive o prazer de cantar um hino, acompanhado apenas do piano… e foi um hino com fundamento bíblico! Foi tão bom que me vêm lágrimas aos olhos quando relembro…

“Todo o poder o Pai me deu, na terra como lá no céu. Ide, pois anunciar o evangelho e eis-me convosco sempre!”

Simples, mas profundo. Leve, mas belo… sem aquele “peso” e andamento lento que os moderninhos gostam de associar aos hinos para aumentar o interesse e a divulgação da indústria “gospel”.

E aí a mensagem, entregue pelo missionário visitante… sem ressalvas! Homem simples, acessível, pertinente… bíblico! Capaz de admitir, lá do púlpito, as próprias mazelas sem nem por um momento por em dúvida o poder e a soberania do Senhor. Mensagem bíblica sobre missões e evangelismo, mas sem os truques psicológicos usados para “lotar igrejas”: ele falou sobe levar a palavra de Deus como ela é ao invés de ficar prometendo fortuna, saúde e sucesso! Ele chamou as coisas pelo nome, por exemplo: G-12 de engano, salvação de Jesus Cristo e pecador de pecador! Fiquei surpreso pelo fato da menção sobre as diferenças batismais (submersão ou aspersão) onde, na verdade, o que importa é crer no Senhor Jesus Cristo como salvador pessoal! Fechei com esse rapaz!

Fim do culto, as pessoas conversavam, pois não tinha um bando de gente fazendo barulho absurdo lá na frente: na igreja que eu freqüentava eles achavam que isso era “música ambiente”, mas no volume em que era executada só servia para os jovens ficarem dançando – o que é comum nos clubes por aí – ou espantar as pessoas que desejavam conversar embora mais rápido!

Resumindo: tive uma manhã abençoada e, em conseqüência, um dia inteiro feliz! (… tudo bem que o almoço no “La Mole” também foi uma benção adicional, mas isso é apenas um detalhe…)

Eu, que era batista, não teria muitos problemas se passasse a freqüentar essa igreja presbiteriana… se ela não estivesse a mais de 60 quilômetros da minha casa! Creio que eu não deva mais observar denominações desde que reconheci a Bíblia como a única e verdadeira palavra de Deus e regra a ser seguida. Posso não estar muito de acordo com o batismo por aspersão e, mesmo sabendo que isso é uma ordenança, preciso considerar melhor sobre o assunto… de um jeito ou de outro, ao menos eu tenho um lugar onde ir para “recarregar” minhas baterias quando as coisas estiverem muito insuportáveis.

As únicas (e pouquíssimas) observações que tenho a fazer dizem respeito à versão da Bíblia que é utilizada e recomendada (ARA) e a um tímido início de alguns poucos jovens balançando o corpo suavemente. No primeiro caso recomendo o artigo de José Pedro M. de Almeida comparando a ARA à NTLH e, para o segundo caso, o artigo do Pastor Hélio de Menezes Silva sobre música na Igreja.

De um jeito ou de outro, o que eu preciso e desejo ressaltar nesse texto é que hoje eu estou muito feliz, pois pude prestar um culto em espírito e em verdade ao único que é digno de recebê-lo! Comparo isto a sensação de encontrar um oásis no meio de um deserto… e mais ainda, um deserto nuclear, pois eu julgava que esses “paraísos” já estivessem completamente extintos.

Que Deus abençoe e preserve aquela igreja, seu pastor, sua liderança e cada um de seus membros, ajudando-os a continuar dentro do previsto em Sua palavra.

Afinal… há algo de errado com essa denominação? Saiba aqui.

Uma reflexão sobre batismo.

Que Deus nos abençoe.

Teóphilo Noturno