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PROFUNDA DESILUSÃO II

CARTA A MEU EX-PASTOR

INTRODUÇÃO

Se hoje revelo o conteúdo desta carta é porque de nada ela adiantou. Não o faço para envergonhar, mas para que conheçam o nível de cegueira espiritual numa igreja batista. A promessa que fiz no primeiro parágrafo foi mantida enquanto não foi divulgada uma resposta. Como não houve solução, a carta perdeu totalmente seu valor e, por isso, torna-se objeto de estudo. Oculto nomes pois, volto a repetir, não pretendo envergonhar ninguém.

Vejam o resultado no final e entendam porque não pretendo voltar tão cedo à igreja que um dia chamei de "minha"… talvez sirva também para explicar uma citação feita na análise do livro "Uma Vida com Propósitos"…

A CARTA

Rio de janeiro, 17 de maio de 2005.

Amado pastor Xongas,

Por ver dificuldades na realização de um encontro pessoal, venho através desta mensagem expressar um pouco de tudo que tem me ocorrido, tudo o que tenho feito e meus pontos de vista no intuito de esclarecer algum mal entendido que possa ter acontecido entre nós nestes últimos tempos. Saiba que esta é uma carta pessoal e não um estudo, ou seja, apenas o senhor estará tomando conhecimento deste conteúdo! (Só e somente quebrei esta promessa após a resposta recebida e a invalidação desta carta.)

Em primeiro lugar quero ressaltar que tenho profundo carinho e grande respeito pelo senhor, que sempre o tomei por exemplo para minha vida e que não gostaria de que ficasse magoado comigo por quaisquer motivos. Tais sentimentos se estendem a toda a sua família e, por extensão, a toda a Igreja Batista AcabaAli — meu “berço”: local onde aprendi a base de tudo o que sei e tudo o que sou.

Por esse relacionamento não ser breve, também posso afirmar que o senhor me conhece bem o suficiente para compreender que não sou louco de incorrer no pecado de rebeldia, pois esse é igual ao de feitiçaria… e minhas intenções são buscar ao Senhor nosso Deus de todo o coração e de todo o entendimento. Sabe também que mesmo em meu passado recente, enquanto buscava acertar minha vida diante de Deus, fui sincero o suficiente para expor meus próprios erros e nunca pretendi ser falso diante da igreja e muito menos diante de Deus, de quem nada podemos esconder.

Antes de continuar, devo pedir desculpas pelo que detectei ser a fonte do recado que foi deixado em minha secretária eletrônica e tentar, pelo menos, explicar um pouco de tudo o que houve:

De meus estudos o senhor vinha sendo informado regularmente e creio que o princípio de toda essa confusão foi a partir deles: preciso que saiba que há muitas pessoas que acompanham minhas chamadas “pesquisas” e que nunca ocultei nenhum destes textos de ninguém.

Agora faço uma pergunta um tanto incomum: o que você faria se visse sua mãe apontando um revólver para a própria cabeça?

Calma! Não estou louco! Essa ilustração grotesca é uma forma de representar como me senti no dia das “excelentes idéias”… talvez não de forma imediata, mas com o aprofundamento de minhas pesquisas e através do conhecimento dos enganos implantados na filosofia em questão, comecei a ficar bastante preocupado: tenho em nossa ministra de educação religiosa uma figura quase materna, pois foi ela própria que me ensinou os rudimentos bíblicos. Guardo com carinho muitas lembranças de minha meninice… e a citação de tal evento em um estudo pode ser comparada a alguém que pula para tentar impedir um disparo, uma tentativa de evitar algo pior. Note que não foram citados nomes e que poucos conhecem a extensão das comunidades que freqüento, logo, torna-se pouco provável que alguém que não tenha participado da referida discussão tome conhecimento dos envolvidos.

Não seria muito estranho se, de repente, eu escondesse um texto das pessoas que todas as semanas, quando tiram cópias dos estudos, também tiram uma cópia para leitura própria? Não seria suspeito mudar meu comportamento, impedindo-os de ler um simples estudo? Pois foi justamente na semana em que fiz tal citação que o senhor tomou conhecimento de uma forma bastante chocante das informações acima… e agora, passadas algumas semanas, posso afirmar que meu intento se sucedeu, pois ninguém identificou nada além do previsto.

Mesmo assim, essa “não identificação” não me exime de um pedido de desculpas pela citação. Por favor, o aceite e faça-o ser conhecido por minha amada irmã.

Crendo que agora esclareci minha possível falha perante meu amado pastor, pretendo explicar o motivo sincero de minha ausência:

Pastor, pouco me importa se o Rick Warren tem quinze mil membros ou mais na igreja dele… eu não o conheço pessoalmente e nem quero conhecer. As únicas coisas dele que vi foram seus textos e nesses há sutil engano, contradições a própria bíblia e até mesmo heresias. Sei que já está de posse dos estudos e não pretendo me estender na discussão minuciosa destes temas, mas saiba que, além das versões em português, tenho as versões originais em inglês (língua que sabe que compreendo) das obras de Rick Warren e realmente fiz constatações surpreendentes: conforme o senhor mesmo informou, o tradutor para a língua portuguesa é um homem muito bom, pois conseguiu “suavizar” certos fatos que causariam profunda estranheza se transcritas diretamente. Só como exemplo cito as páginas 79 e 259, quando são usados os termos “oração de um fôlego” e “nada além de um murmúrio”, termos que em inglês significam uma só coisa – “breath prayer”! Abordo esse assunto num apêndice de minha autoria e que pretendo anexar a esta carta.

A citação bíblica de “examinar tudo e reter o que é bom” se aplica a livros de budismo? Hinduísmo? Será que devemos aprender alguma coisa com os satanistas?

Independentemente da resposta, minha crença pessoal é clara: NÃO!!! Pois as más conversações corrompem os bons costumes e a amizade com o mundo é inimizade com Deus. Eu não posso navegar numa corredeira cheia de bifurcações onde nunca saberei qual caminho tomar, pois muitos deles levam a profundos despenhadeiros… ou melhor, eu até sei, mas o cristão comum que lê e absorve sem questionar não perceberá o engano em que está se envolvendo! Repito meu pedido: veja com atenção as páginas 79 e 259 de “Uma Vida com Propósitos” — mesmo que o uso de 15 diferentes versões da bíblia (com deturpação afirmada de 10 delas!) não o convença, será que meditação oriental e vãs repetições não são motivos suficientes para que se desista desse “namoro” com Rick Warren, São José dos Campos e suas metodologias psico-marketeiras de fazer igreja? A cada vez que um dos dirigentes afirma que “essa é a sua igreja” com um sorriso nos lábios, seja por causa do louvor, seja por qualquer outro motivo, eu vejo as técnicas começando a ser aplicadas… Uma outra coisa, agora de maneira pessoal, que me magoou muito (… e conto para que não fique oculta) foi a sua atitude sobre meu questionamento sobre os chamados “40 dias com propósitos”: não só eu como muitas outras pessoas viram, em 2004, o aviso público e de púlpito que durante esse ano seria realizada tal atividade, assim como a recomendação de que deveríamos adquirir nosso próprio material… entre outras coisas. Por mais que isso não tenha ocorrido e tenha ficado “guardado no canto”, creio que eu não preciso levar um “papel escrito” provando que tal aviso foi dado. Sinceramente eu fiquei alarmado quando o senhor falou isso para mim. Se foi uma brincadeira, saiba que foi muito mal compreendida. Se não foi, me perdoe, mas minha vida foi, é e pretendo que permaneça sendo pautada através da Bíblia e de Tiago 5:12, pois o que sai da minha boca é o que eu farei ou não… sem papéis escritos ou fitas gravadas. Minha sinceridade e verdade diante de Deus eu não preciso forjar, pois o senhor mesmo é testemunha de minha lealdade: mesmo diante da possibilidade de minha exclusão não ocultei meus próprios erros e meu pecado pré-nupcial.

Saiba que com isso não só eu fiquei bastante entristecido, mas minha esposa, minha mãe, minhas irmãs, meus sobrinhos… toda a minha família, que tinha como ponto de referência o seu pastorado ficou bastante chocada e profundamente entristecida — Toda a nossa vida sempre girou ao redor do senhor e da Igreja Batista AcabaAli, principalmente a minha: meu crescimento, meu batismo, meu casamento… mesmo nos momentos tristes! Nós tínhamos profundo respeito e admiração e agora estamos realmente abalados.

Não perdemos nossa fé em Deus e nossa lealdade e temor a Jesus Cristo permanecem inabaláveis… sequer deixei de respeitar o senhor, porém não consigo mais ir até a igreja e ficar calado, sem revelar tudo o que tenho descoberto… e de forma alguma quero criar um choque dentro da igreja: é melhor que eu esteja quieto do que ser tomado por rebelde, ou que escandalize alguém ou ainda que pensem que estou indo contra o senhor.

Sou apenas uma ovelha e, diante do texto de Levítico 5:1, julgo minha missão cumprida.

Ah! Antes que cogite a possibilidade de que eu esteja indo para alguma outra igreja, saiba que isso também está sendo impossível, pois as heresias pululam nos locais mais insuspeitos. De início eu achei que estava ficando psicótico, mas pedi auxílio a outras pessoas para comparar afirmações feitas nos mais diversos púlpitos com a verdade única da Bíblia e o retrato da apostasia começou a se revelar.

Para seu conhecimento fui até a Igreja Batista do Cafofo numa terça feira, quando os pastores do grupo que apóia Ana Méndez se reúnem, para tentar alertá-los sobre as heresias encontradas no livro “Guerra de Alto Nível” (que apresentei ao senhor)… Quer saber algumas das afirmações absurdas que ouvi? Vá até meu site.

Saiba que algumas dessas afirmações vieram do próprio pastor Herdeiro e outras do pastor da Igreja Batista Chapéu… e saiba que mesmo sem ter falado comigo, ainda pertencem a este grupo alguns outros pastores batistas. Aliás, cheguei a ligar para a CBB, que me informou o telefone da CBC, onde falei com o pastor presidente… e a única resposta que ouvi dele foi desanimadora:

— É, meu filho… nossas igrejas estão repletas de esoterismo…

Amado Xongas, agora no final dessa carta eu falo como seu amigo e seu filho na fé… como alguém que foi testemunha viva de sua vida e ministério enquanto aconteciam. Eu o amo como a um pai que não tive e não quero nunca entrar em conflito nem contigo nem com a Nailia nem com ninguém mais: minha luta não é contra a carne e nem o sangue… você sabe bem contra o que estou indo. Não sou ninguém e nem tenho autoridade para exortá-lo, mas humildemente peço que reveja as coisas em que está sendo envolvido e levando toda uma igreja consigo. Não se deixe enganar por citações bíblicas fora do contexto e nem por boas intenções aparentes… o único método de fazer igreja é o mais difícil: a liderança total do Espírito Santo de Deus.

Mais uma vez peço perdão por algum pecado que tenha cometido contra você ou contra a Nailia. Coloco-me à disposição de seu julgamento e sanção, pois é autoridade sobre mim, porém dessa vez meu único possível erro é me apegar única e firmemente à palavra de Deus.

Rogo a Deus que o abençoe e proteja, assim como a toda a sua família… pois nunca deixarei de fazer isso!

Atenciosamente

Teóphilo Noturno, servo do Senhor.


 

A verdade é que eu terminei de escrever esta carta chorando e isso não é motivo de orgulho: essa carta foi um último ato, praticamente desesperado! Entre a citação das "excelentes idéias" e a redação dessa carta se passaram cinco semanas onde estive por diversas vezes na igreja, mas apenas em uma pude encontrá-lo. O diálogo que houve foi completamente insatisfatório:

- Noturno! Está sumido!

- É… estou fazendo umas "excursões"…

- Seu lugar de fazer excursões é aqui!

- O senhor ainda não me chamou pra conversar…?

- (Silêncio…)

E foi isso! Em cinco semanas! Será que era para eu esquecer de tudo que aprendi e constatei e simplesmente retornar como um "esquentador de bancos" para a igreja pragmática?

Diante dessa distância aparentemente instransponível, tive de lançar mão do recurso "carta"… principalmente porque creio que consigo me expressar melhor escrevendo do que falando. E essa ação gerou o texto transcrito acima… e, de quebra, gerou também um ânimo novo para eu restaurar e remodelar o site.

Mas, afinal… qual foi a resposta que o pastor deu a esta carta? Novamente foi um "amoroso" recado gravado em minha secretária eletrônica… ouvi e repeti por diversas vezes…

Depois disso decidi que não há necessidade de voltar lá!

Será que eu preciso ir falar tudo aquilo que já escrevi (e pode ser visto, inclusive, aqui neste site)? Meu discurso é esse: sou 100% fiel ao texto bíblico e, mesmo tendo profunda amizade por ele, não posso me calar e aceitar doutrinas estranhas.

Desculpem o mau jeito, mas sinceramente… que Deus me perdoe e me abençoe.

Teóphilo Noturno