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CHUVA FINA E LUZ AMARELA

TEXTO INCOMUM: O TESTEMUNHO DE TEÓPHILO

ESTE TEXTO FOI DIVIDIDO EM 2 PARTES:


1ª PARTE

2ª PARTE


ACENDEU UMA LUZ AMARELA NO PAINEL DO MEU CARRO!

Luz Amarela

Logo agora? Justo nesse período de tantas dificuldades! Sem dúvida essa luz indica um defeito, mas será que essa peça vai sair caro? Como vou conseguir pagar o pedreiro?

Essas foram, anteontem, as primeiras reações que tive quando observei algo de anormal enquanto conduzia o veículo, mas logo fui mudando a linha de pensamento:

Hoje eu tenho um carro… mas não é luxo, é necessidade! Graças a Deus eu tenho um carro! No meio de tantas crises, pelo menos tenho como transportar, minha mãe…

Graças a Deus eu tenho mãe! Foi ela quem me levou para ser apresentado, ainda bebê, em uma pequena igreja da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Era ela quem me levava todos os domingos para a Escola Bíblica Dominical. A culpa de eu existir e pensar biblicamente pode, de certo modo, ser quase toda atribuída a ela! Por ser o filho caçula temporão, não conheci muito bem meu pai: que nos abandonou quando eu tinha apenas três anos de idade. Justamente por isso eu vivia colado na minha mãe em todos os lugares que ela ia e conheço muito bem a estrutura da Sociedade Feminina Missionária (a original!! Aquela que orava!! E ainda tinha os “Mananciais do Deserto”, que eu lia de uma vez!), o funcionamento de um coral (o povo ensaiando e eu correndo com a criançada lá fora da igreja em construção… lembro bem do gesso no braço quebrado!), a ordem de uma sessão administrativa (ser filho da secretária… esperar fechar a ata é uma excelente técnica de tortura chinesa para crianças!).

Porém a minha primeira experiência pessoal com Deus aconteceu em torno dos cinco anos de idade e ficou marcada de forma indelével em minha memória: eu aceitei a Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador pessoal! O que mais me marcou foi a “festa no céu” que minha mãe disse estar ocorrendo por minha decisão: eu me senti muito importante para Deus naquele dia!

Meu batismo foi aos doze anos já pelo mesmo pastor que, quando completei trinta e três, apostatou violentamente da fé e hoje até mudou o nome da igreja para poder abrir diversas “filiais” em muitos lugares. Na falta de um pai, por muito tempo dediquei a esse homem o mesmo tipo de afeto que se dedica à figura paternal… e hoje, se ele ainda lembra de mim, devo ser referenciado como rebelde, soberbo… anticristo. Tudo isso dito de púlpito! Belo exemplo de ética pastoral…

Mas se faz necessário dizer que também tenho uma irmã que foi como meu pai: dedicou sua vida quase inteira ao sustento da família! Trabalhava na extinta “TELERJ” e, mesmo com dificuldades, custeou meus estudos. Mesmo depois de formado, ainda assim me auxiliou durante meus cinco anos de exílio em Manaus: um dia vou contar melhor tudo isso, mas ela me mandava uma parte dos seus tickets de alimentação para que no período mais difícil eu pudesse almoçar umas quentinhas na Avenida Eduardo Ribeiro… O Senhor não me deu riquezas, mas me deu duas mães cujo valor é inestimável! Com a chegada da era das privatizações, ela foi passando dentro das organizações que se sucediam… mas acabou, com vinte e sete anos de carreira, seguindo o destino da maioria: ficou desempregada. Hoje, sempre solteira, é quem cuida da minha mãe.

Eu já disse que vivo o que falo e de forma alguma poderia desonrar meus pais ou, no meu caso, minhas mães! Antes de casar o Senhor permitiu que, numa longa história que não vou contar agora, minha transferência de volta para o Rio de Janeiro (solteiro!) e o FGTS de minha irmã garantissem a aquisição da casa onde elas moram atualmente. Nem imagino como seria se tivesse que pagar aluguel e, para comprar os mantimentos minha irmã vende pães pelas ruas do bairro enquanto eu auxilio nas contas e nos remédios da minha mãe, que hoje, velhinha, já não anda mais como quando eu era criança… Esse é um dos principais motivos pelos quais não posso deixar de ter um automóvel que não me deixe na mão: sem ferver, sem apitar, sem parar no meio da Avenida Brasil por causa de peças que nem sei o nome! Foi por isso que eu e minha esposa vendemos nossos dois carros velhos de quando éramos solteiros para dar entrada em apenas um, com garantia e seguro, do qual pagávamos as prestações com relativa tranqüilidade antes da “virada”. Até pensamos em vender o carro para quitar a dívida, mas com a crise do final do ano iríamos dar o carro para alguém e continuar pagando o mesmíssimo o valor de prestação, só que num carro velho! Esse, pelo menos, tem garantia de motor até 2011, mas… e essa luz amarela?

Tenho que ir até a autorizada, mas, para minha felicidade e economia, o pastor de uma igreja batista me convidou para palestrar no dia 27 de junho e a igreja fica bem no caminho: telefonei para coordenar e a agenda do pastor só permite que nos encontremos após o almoço, por volta das 13:30h… se eu for bem rápido, consigo sair da igreja a tempo de resolverem meu problema na concessionária.

Minha esposa vai adiantar o almoço para que tudo dê certo!

Graças a Deus eu tenho minha esposa! Ela é uma Bênção (com B maiúsculo mesmo!)! Se vocês vissem como sou feio e pobre nunca compreenderiam como fui casar com uma mulher tão linda e companheira como ela é: nunca esperei que ela fosse tão esforçada e prestativa quanto tem se revelado! Se testemunhassem a forma como cuidou de mim após as cirurgias que realizei, sua preocupação por minha saúde e integridade… e admito que sou meio relapso com essas coisas. Mas ela foi a segunda grande prova de Deus que fiz em minha vida, a primeira ocorreu no dia em que duvidei de Deus!

PEQUENOS PEDIDOS…

Teóphilo duvidando… de Deus?

Sim! Quando tinha meus vinte… vinte e um anos fiz isso! Simplesmente estava vivendo um momento tão infeliz de minha vida que sinceramente pensava que, assim como meu irmão, iria também morrer em Manaus. De quebra já tinha lido Kardec, já tinha feito uma visita aos seicho-no-iê… já tinha até comido vegetais com os Krishna que ficavam na Avenida Sete de Setembro! Nessa época já existia até a igreja batista da restauração num antigo cinema da Joaquim Nabuco e eu cheguei a apertar algumas vezes a mão do apóstata, digo, “apóstolo” Terranova! Ou seja, estava definitivamente “mal parado”!

Duvidei de Deus! Em determinado momento de minha vida e apesar de ter crescido dentro do sistema evangélico batista, comecei a achar que Deus seria uma espécie de "antena" impessoal… um amplificador de sinais mentais capaz de captar nossas orações e, por algum motivo indecifrável, atender algumas e solenemente ignorar outras.

Esse raciocínio me fazia sofrer bastante em um dilema: mesmo sabendo que Deus é o “Pai de todos”, havia pedido a Ele uma “proteção especial”… um cuidado que só ele poderia dar a um estúpido estabanado como eu e, acreditem, sempre me senti protegido dessa forma. Um relacionamento íntimo e exclusivo, uma oração-conversa quase ininterrupta: uma intimidade que só quem é exilado de todos aqueles a quem ama pode entender.

Então como pude duvidar de Deus? Ora, pelas más conversações! Minha cabeça estava repleta de conceitos deturpados de espiritualidade e divindade e, se conseguisse provar a mim mesmo que Deus não existia, seria mais uma vez como sentir a perda de um ente querido. Queria tanto a verdade que até imaginei uma “fórmula” para fazer Deus se revelar a mim!

Era tão estúpido… mas, julgando haver alguma sabedoria em mim, me propus a fazer aquela que poderia ser a última semana de jejum da minha vida! E seria um jejum de meio-período durante uma semana! Faria esse verdadeiro "sacrifício" para que Deus me mostrasse algo incomum… uma reles pomba branca!

Se fosse em outra cidade não sei, mas já estava a mais de dois anos em Manaus e reparei que todas as pombas de lá eram malhadas: cinzentas, amarronzadas… mas nenhuma era branca! Ora, eu não queria fazer um voto tão difícil que Deus não conseguisse cumprir, mas ao mesmo tempo precisava pedir algo que não fosse tão ordinário! Não queria sentir a dor da perda, mas não poderia continuar vivendo na dúvida… era o dilema de um jovem tolo e não conto isso com orgulho, mas constrangido pela ignorância que um dia me dominou e não posso ocultar, pois esse é meu testemunho.

Nessa época eu dava aulas particulares de quase todas as matérias, exceto química e biologia, para filhos de empresários da cidade que moravam no mesmo prédio que eu e no centro da cidade: NUNCA o salário de controlador foi suficiente para um mês inteiro e eu sempre tive que me virar com outras atividades durante as horas que deveriam ser de “folga”: rádio, aulas, informática… nunca fui acomodado!

Comecei a cumprir meu voto conforme o “combinado”, porém aquela era a semana de provas dos filhos do presidente de uma gigantesca multinacional de eletro-eletrônicos com fábrica em Manaus. Minha rotina estava bastante apertada: tive que trocar até alguns serviços na torre para poder dar as aulas de reforço para as três crianças e, desconsiderando o lado financeiro, fazia isso porque sempre gostei muito de colaborar com o esclarecimento e a cultura… é o jeito que descobri para me sentir verdadeiramente importante ao fazer o meu melhor pelo próximo.

Maximino Corrêa

A rotina de aulas começava logo após o almoço com o filho mais novo e, às vezes, passava das 23:00h entre revisões e exercícios. Para incentivar ainda mais os estudos, prometi que, se todos tirassem mais que 7,0 em todas as provas, iria levá-los no ponto mais alto da cidade (naquela época… hoje já deve ter algum mais alto) — o topo do edifício onde morávamos, o “balança mas não cai” de Manaus — edifício Maximino Corrêa!

Na quarta-feira daquela semana, aproveitando a manhã de folga da torre, é que fui atentar para o fato de não ter visto, ainda, pomba branca alguma!

Eu lá (garoto estúpido!), fazendo jejum de meia-noite ao meio-dia e Deus estava me ignorando!?

Pensei: será que Ele estava precisando de uma ajudinha? Pelo sim pelo não, decidi procurar algum pet-shop ou aviário, já que meu objetivo era apenas ver uma pomba branca… podia ser que eu tivesse que “fazer a minha parte”: andei o centro inteiro e fiz algumas descobertas:

— Manaus, ao contrário do Rio de Janeiro, não possuía nenhum aviário! Por isso que eu só comprava e comia frangos congelados!

Durante os cinco anos de exílio, a única vez em que comi carne fresca de ave por lá foi no dia da “operação bacurau”: para manter a segurança de vôo contra o elevado número dessas aves que fizeram seus ninhos junto à cabeceira das pistas, foi necessária uma operação de extermínio noturno e, no dia seguinte, fui para casa com uma sacola pesada contendo quase uns cinqüenta pássaros já depenados e prontos para temperar e fritar! Foi um verdadeiro banquete!

— No único pet-shop que encontrei não havia pomba branca alguma! Cãezinhos, gatinhos… mas NENHUMA pomba! Será que eu havia pedido uma coisa tão difícil assim para Deus?

— Uma manhã passa muito rápido quando se procura algo que, naquele lugar e naquela época, não existia! Quando olhei já era quase hora de começar as aulas: peguei os tickets que recebera da minha irmã e fui almoçar antes de começar a trabalhar…

A quarta-feira se emendou com a quinta e a sexta-feira passou voando: só percebi que eram cinco e meia da tarde quando fui cercado pelas crianças saltitantes com as mãos cheias de provas corrigidas. Para minha alegria (e dos pais deles também!) a nota mais baixa foi um simpático 8,5 e, como promessa é dívida, lá fomos nós ver a cidade do alto!

As crianças mal cabiam em si de contentamento quando abri a portinhola que dava acesso à pequena área lateral no topo do prédio e tinham razão para isso: a visão daquele entardecer era magnífica! O sol se punha no Rio Negro e uma agradável brisa soprava, aliviando um pouco do típico calor úmido local. A cidade se descortinava em detalhes que fascinavam meus queridos alunos e, subitamente, me ocorreu que a semana estava acabando ali, naquele momento, e eu NÃO TINHA VISTO a bendita e desejada pomba branca!!!

Uma tristeza profunda começou a rasgar meu peito e comecei a lutar com as lágrimas que, com muita força, teimavam em sair de meus olhos. Não queria demonstrar minha frustração angustiada para as crianças, mas naquele momento senti dor tão intensa quanto no momento em que recebi a confirmação da morte de meu irmão… ou pior, pois quem seria eu a partir daquele momento? Perdi o referencial de tempo e, mais do que isso, perdi o referencial da própria vida!

Até que algumas gotas de chuva me despertaram de meu profundo sofrimento para cuidar de meus alunos, pois não desejava expô-los a um possível resfriado! Ao contrário das chuvas grossas e rápidas, típicas do entardecer amazonense, aquela chuva estava bem fininha e agradável dava até vontade de continuar ali e lavar minhas mágoas… mas a saúde de meus pupilos era a prioridade e, cortando aquele momento de alegria e deslumbramento deles, mandei que rapidamente descessem as escadas e fossem para casa!

Eles sempre eram obedientes, mas dessa vez as reclamações foram intensas: “Que chuva!?”, “Tio! Deixa a gente ficar! Não tá chovendo nada!!”… mas o falatório era inútil e fomos todos de volta para o apartamento de seus pais. E foi aí que ocorreu…

Abri a porta, coloquei-os todos para dentro e, quando entrei, a mãe deles me fitava com olhos arregalados. Sem entender bem o que estava acontecendo e temeroso de ter feito alguma coisa errada, iniciei o seguinte diálogo:

— O que houve, Dona Rebeca*? (*óbvio que é pseudônimo!!!)

Ela, sem tirar os olhos de mim, mandou que eu olhasse para as crianças e olhasse para mim mesmo. Não compreendi o motivo de tal recomendação, mas fiz como ordenado: olhei para as crianças, sequinhas por tê-las posto logo para baixo e olhei para meu braço encharcado… hein? Eu estava verdadeiramente ensopado, com água escorrendo pelas calças, como se tivesse permanecido por horas sob uma torrencial chuva! E aí ela falou:

— O Senhor te ama!

De que Senhor ela estaria falando? Como ela saberia alguma coisa de Deus para mim? Quem contou?!

— O Senhor me mandou te dizer que Ele te ama muito! E que só por isso Ele te respondeu! — E parece que ela sabia o que eu iria perguntar e continuou — Quem é você para ordenar alguma coisa ao Deus Criador desse mundo? Você acha que pode pedir o que quiser, na hora e do jeito que imagina? Deus é muito maior do que sua cabeça pode pensar! Ele não depende de você para nada, mas mandou dizer que te ama muito e só por isso está fazendo algo muito maior do que aquilo que você pediu… olhe pela janela!

Olhei e estava tudo absolutamente seco! Nem um molhadinho, nem uma umidadezinha em lugar nenhum! E ela continuou:

— Aprenda a amar seu Deus, porque Ele existe! Aprenda a respeitar seu Deus porque Ele diz que SEMPRE vai te responder… mas do jeito que Ele quiser, no tempo que Ele determinar e no local que Ele achar necessário!

Ela falou ainda outras coisas, mas eu já estava de joelhos e não conseguia conter meu choro… nunca esperei que algo tão maravilhoso e pessoal pudesse acontecer comigo! Naquele momento Deus usou aquela mulher e eu aprendi uma grande lição para o resto de minha vida: Deus É Deus… e eu sou nada!

ALERTA AMARELO

Essa foi uma lição tão grandiosa que até hoje eu sempre relembro e acabo descobrindo novos detalhes que posso ter deixado passar. Ao descrever este episódio pela primeira vez de forma escrita, fiquei imaginando se tivesse achado a pomba em algum tipo de comércio… qual o conceito errôneo que eu poderia ter formado a partir da minha “participação” na resposta de Deus? Até nisso Deus se mostrou perfeito!

Mas todas essas idéias me ocorreram enquanto seguia meu caminho para a igreja e a concessionária: antes das 14:00h cheguei ao templo e fui alegremente recebido pelo pastor. Iniciamos uma conversa muito satisfatória sobre igrejas, construção, doutrinas, desvios bíblicos (… e ele conhece bem o caminho que meu ex-pastor tomou!), internet, sites… o tempo foi passando mais rápido que água entre os dedos!

Quando fui apresentar um pouco do material (vídeos) que possuo, fomos surpreendidos pela chegada do líder de louvor de outra igreja da região, que acabou se interando do assunto e deu certeza de que não só ele, mas outros componentes de sua igreja virão participar da “Oficina de Louvor”. E o curioso é que se não houvéssemos marcado aquele encontro ali, ia ser bem mais difícil que aquelas participações ocorressem… eu a cada dia menos acredito em coincidências!

Depois de tanta conversa ainda tivemos tempo para um delicioso café com biscoitos… oramos juntos antes de comer: para muitos isso pode ser trivial, mas para alguém que está a tanto tempo longe de uma tarde na igreja foi extraordinariamente agradável e produtivo!

A conversa estava tão boa que quando fomos atentar para o relógio já eram 16:30h! Lá se foi minha oportunidade de ir consertar aquela incômoda luzinha amarela no painel!

Nos despedimos e peguei a estrada de volta para casa num misto de extrema alegria pelo envolvimento com a obra de Deus e uma ponta de preocupação por não estar economizando combustível ao ter que retornar pelo mesmo caminho no dia seguinte só para verificar uma luz no painel…

Vinha dirigindo pela Avenida Brasil e me recriminando pelo caminho quando decidi fitar aquele problema não resolvido que tanto me incomodava… e, ao fixar os olhos no local do alerta, estava apagado!

Custei a acreditar, reduzi a velocidade e fui para a pista da direita… podia ser que a luz voltasse a acender! Fui para o acostamento, desliguei o motor… já havia saído daquela igreja bastante contente, mas jamais esperaria uma “coincidência” como aquela! Com muito medo girei a chave, esperando que a indicação de defeito fosse ser reativada e, para minha surpresa, o motor reacendeu suave e… sem nenhuma luz amarela!

Podem me chamar do que quiserem, mas vim louvando e chorando pelo resto do caminho, porque o Senhor mais uma vez me mostrou que TUDO o que ocorre na minha vida tem um objetivo: até as coisas que não são tão boas a primeira vista!

"Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco." (1 Tessalonicenses 5:18)

Quando eu iria bendizer um defeito no automóvel? Quando eu iria dar graças pela perspectiva de um gasto em plena crise? Só mesmo o Senhor Deus para mudar as perspectivas ruins que nossas mentes criam de forma automática! Certamente que se não fosse aquela luz amarela eu não teria ido àquela igreja naquela tarde! Certamente, se nós não estivéssemos ali, aquele líder de louvor poderia não participar das palestras! Certamente o Senhor tem me guiado e indicado que meu futuro não será do jeito que um dia imaginei.

Esperava me aposentar no final de minha carreira militar e, por fora, ir fazendo meus “bicos” na área de informática. Depois da crise de saúde, passei a confiar em uma empresa multinacional que muito auxiliou em minha saúde, mas como uma virada de folhas essa “gigante” se reduziu e foi retirada do Brasil! Os caminhos pelos quais estou sendo conduzido mostram que assumir meu papel na defesa da fé e da Palavra de Deus não são uma opção e muito menos mero “hobby”: nunca sonhei com um ministério, nunca me imaginei tendo que exortar e esclarecer a igreja adormecida dos últimos dias…

Ainda há o meu maior temor, pois sempre imaginei que apenas através de meus próprios esforços iria conseguir obter o sustento de minha família… e atualmente, pela primeira vez na vida, a situação se configurou de forma tão incomum que tenho a necessidade de pedir doações! Estou sendo quebrado de qualquer orgulho, aprendendo que nada sou e que só posso confiar na ação do Espírito Santo junto a outros cristãos para poder ter sustento… não é por isso que vou mudar minha opinião sobre os dízimos e muito menos sair “vendendo a graça” como remédio para dor de barriga ou profetizando belas mentiras que agradam tanto os sentidos quanto contrariam a Palavra!

Não sei tudo, mas me esforço para saber apenas do que há de mais importante para que consigamos sobreviver (ou não…) neste mundo: a Palavra de Deus! Tenho medos, defeitos e não sou em nada melhor do que ninguém! Mas estou disposto a aprender a em TUDO dar graças! Quero aprender a obedecer meu Senhor e Salvador Jesus Cristo até mesmo quando toda a lógica e toda a razão e todo o senso comum disserem o contrário!

Para quem orou por uma pomba e recebeu uma chuvarada isso deveria ser fácil, mas não é!

Este texto foi escrito em várias oportunidades no decorrer de uma semana: ao concluí-lo, mesmo algumas pessoas tendo me dito que o “misterioso caso da luz amarela” não passou de um defeito intermitente, me basta constatar que a luz nunca mais se acendeu!

Sei que é um estilo incomum para aqueles que acompanham meus textos, mas tudo isso é um pouco do meu testemunho pessoal… não é doutrina a ser seguida! De tudo isso, espero que vejam que a única conclusão a ser tirada é que a fé deve ser depositada apenas em Deus e em Sua Palavra.

Eu não preciso de fogo do céu e nem de anjos se revelando: só preciso da Bíblia! Tudo o mais… Deus proverá!

"Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas." (2 Coríntios 4:17-18)

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Que o Senhor esteja conosco!

Teóphilo Noturno