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OS VENTOS E A ROCHA

FECHANDO 2006: UM POUCO SOBRE O AUTOR

Finalmente tive oportunidade de me concentrar para escrever um pouco — já são quase quatro meses sem colocar uma linha de “novidade” aqui no site — e esta ausência me causou alguns sintomas: um pouco de ansiedade, uma sensação de “dever não cumprido” e a agonia de não conseguir “dar um tempo” nas coisas seculares que exigem minha atenção para me dedicar a estudar a Bíblia… e foi assim, no meio deste mal estar, que o Senhor aproveitou para me ensinar mais uma importantíssima lição.

Mas antes de contar o que Deus me falou através de Bíblia, permitam um momento de catarse e desabafo que não é diretamente ligado à proclamação do Evangelho, mas que vai me servir como válvula de escape.

Acho que já disse em algum texto anterior que exerci a função de controlador de tráfego aéreo durante quinze anos… e isso foi algo que ocorreu em minha vida sem que eu tivesse muita influência: passar em um concurso público federal quando se é um pobre, sem pai e com apenas dezesseis anos é uma grandiosa vitória — eu não sabia nem como seria dentro da Escola de Especialistas da Aeronáutica, só sei que me agarrei com unhas e dentes àquela oportunidade de um futuro digno. É claro que eu nunca iria questionar o tal “exame psicotécnico” que me julgou capacitado para exercer tal função… só lembro que fiquei muito feliz pelo fato de não ter que saltar de pára-quedas.

Não estou aqui para criticar o militarismo, mas foram quinze anos em que ocorreram as mais diversas experiências: desde um exílio na cidade onde meu irmão havia acabado de ser assassinado até as calúnias e perseguições iniciadas por outros sargentos e reforçadas por um par de oficiais. Desde os dezoito anos eu sempre tive uma “profissão extra” para poder sobreviver: já dei aulas particulares, um pouco de locução, coisas na área de informática. Eu saía da tensão da torre e embarcava na responsabilidade dos outros compromissos sem descanso algum… talvez porque nunca tenha percebido o desgaste inerente à função de controlador de tráfego aéreo, me julgava apenas mais um militar fazendo o que a maioria dos militares graduados têm de fazer para sobreviver: bicos! Assim como para os músicos, os infantes e os mecânicos, não há distinção para os CTA’s… afinal, não passam de graduados.

Diferentemente de outras especialidades das quais não se exige tanta atenção, quantas noites inteiras passamos atentos ao chiado do rádio, sabendo que qualquer ruído pode ser uma aeronave com equipamento defeituoso? Quanta tensão e adrenalina num procedimento de emergência ou numa súbita falha de comunicação? E depois de tanto desgaste… muitas vezes temos de permanecer no quartel para marchar debaixo do sol ou então tirar um serviço armado, tomando conta de soldados que a qualquer momento podem atirar de metralhadora no próprio pé! E certamente se algo de anormal ocorrer podem ter certeza que, no mínimo, o indivíduo é penalizado perdendo horas (do tempo em que deveria estar repousando) em audiências e mais audiências para se provar a inocência.

Aliás, a inocência é um conceito bastante relativo neste meio. Não obstante a violência urbana e o trânsito caótico, um atraso de meros dez minutos pode significar um final de semana inteiro preso dentro de um quartel… não importa se você tem família ou compromissos: você tem de ser punido para aprender a não permitir que os imprevistos possam ocorrer e que poder contar com o bom senso é mera concessão. Pior do que perder as horas (mencionadas até mesmo na constituição) como direito de lazer e repouso de qualquer trabalhador é a possibilidade de ter sua ficha manchada e seu conceito de “ótimo comportamento” ser jogado fora como um trapo… e é assim mesmo: não importa sua capacidade, seu esforço, sua seriedade… todos não passam de moleques inaptos e passíveis de punição exemplar mediante qualquer eventualidade.

E o mais triste de tudo é que estes quatro parágrafos inteiros são apenas a ponta de um iceberg de completa e irreversível desilusão profissional e institucional por parte deste que vos escreve… mas, como desabafo imediato, já deu para acalmar um pouco. Talvez um dia eu parta para uma biografia…

Falta apenas relatar algumas coisas que aprendi durante os eventos relacionados à queda do GOL 1907:

1 – Tanto a imprensa quanto o governo não são tão transparentes quanto desejam se apresentar.

Não existe a mínima possibilidade de que um Boeing 737-300 fique mais de uma hora desaparecido dos radares e sem qualquer contato. Quando li a notícia pela internet já se haviam passado mais de 90 minutos do “desaparecimento”… ora, se a fase de incerteza já se havia passado é bem pouco provável que o piloto estivesse passeando pelos céus. Sem dúvida a queda da aeronave já era mais do que evidente a essa altura e, pela total ausência de contatos através de aparelhos celulares (dos passageiros) e rádios de emergência… estava já configurado um quadro terrível de acidente aéreo sem sobreviventes. É cruel, mas… porque não revelar logo a verdade ao invés de ficar enrolando?

2 – Num procedimento de autorização (também chamado “clearance”) nunca se repete o plano de vôo na íntegra, em lugar nenhum do mundo.

Em algum momento das investigações quiseram alegar que o operador da clearance de São José dos Campos não instruiu sobre a altitude que deveria ser assumida a partir de Brasília… e isso me pareceu bastante suspeito, pois nessa primeira autorização informam-se apenas os procedimentos essenciais à uma decolagem segura, ficando todas as informações posteriores (pois o tráfego é dinâmico e passível de alterações em níveis e velocidades inicialmente previstos) a cargo dos órgãos de controle que virão a ter esta aeronave sob sua jurisdição. O que levou as autoridades a permitir uma notícia tão estranha quanto essa? Algum interesse em se ocultar os indícios que apontariam os verdadeiros culpados e voltar a atenção geral para algo sem fundamento?

Passei três longas noites sem sequer conseguir dormir (mesmo com auxílio de remédios!) e afirmo que ainda há muito a ser especulado sobre o que aconteceu em torno deste triste episódio. Não pretendo ficar aqui filosofando sobre culpabilidade, enganos, mentiras, despistamentos… simplesmente pude concluir que há possibilidade de ocultação de fatos e deturpação da verdade em todos os lugares imagináveis: no governo, no militarismo e até mesmo… nas igrejas.

Pronto, a partir de agora voltamos à nossa programação normal, afinal… é para estudar a Palavra de Deus e delatar o crescimento da apostasia que este site existe.

Durante todo esse tempo não deixei de receber mensagens perguntando por novos estudos ou relatando sobre mais algum “absurdo gospel”. Cada e-mail recebido deixava meus dedos “coçando” para escrever novidades e a mente borbulhando com tantas possibilidades de abordagens bíblicas para confrontar e expor os temas propostos, mas… eu estranha, literal e definitivamente não conseguia escrever! O que estava ocorrendo??

Eu clamava a Deus pela ação do Espírito Santo e… nada!

Cheguei ao ponto de revisar minha vida inteira para descobrir onde estaria falhando diante de Deus… e, óbvio, achei muita coisa!

Quase posso apostar que os que crêem nas “brechas” devem estar saltitando com o parágrafo acima, mas felizmente vou ter que (finalmente) começar a citar a Bíblia para acabar com as expectativas de perfeita santidade que muitos tem tentado atingir:

Em primeiro lugar temos Efésios 2:8-9 que diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Este texto é breve, porém permite uma reflexão tão profunda que pode acabar com muitas das doutrinas divulgadas não só pelo espiritismo e pela igreja católica, mas até mesmo por aquelas igrejas alegadamente cristãs, mas que estão se baseando em um evangelho distorcido para pautar a vida de seus membros.

Mas a questão que quero abordar aqui não é especificamente a salvação, mas a santificação que cuja falta, segundo Hebreus 12:14, pode nos impedir de ver a Deus. Como devemos proceder para nos santificar?

Ora, se tivermos o firme propósito de aperfeiçoar nossa santidade devemos seguir o que Paulo diz sobre a perfeição em Filipenses 3:13-14 e avançarmos na direção de nosso alvo, nunca esquecendo que a carne sempre irá confrontar o Espírito (Gálatas 5:16-17) e que mesmo os que se julgam “super-santos” podem cair a qualquer momento (I Coríntios 10:12).

Em I Coríntios 10:13 vemos que Deus sempre proverá um escape para que possamos suportar as tentações, porém será que estaremos hábeis para reconhecer tal saída? Não estará nosso orgulho muitas vezes nos impedindo de reconhecer que o caminho de Deus muitas vezes pode não ser o de uma vitória carnal, imediata e ostensiva… porém é o da paradoxal humildade (II Coríntios 6:4-10)? Da aparente derrota (II Coríntios 4:8-12) em troca de uma glória mui excelente (II Coríntios 4:16-18)?

Tolos são aqueles que confiam em homens (inclusive em si próprios) como lastro do caminho para a santificação! Esses "fortões" deveriam ler Jeremias 17:5-10 e descobrir suas semelhanças com as tamargueiras…

O verdadeiro caminho para a santificação é o recomendado pelo próprio Jesus Cristo em João 17:17 e, por mais que nos esforcemos, devemos reconhecer que a santificação genuína, conforme I Tessalonicenses 5:23, provém de Deus: “E o mesmo Deus de paz voz santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Mas, afinal, se eu estava seguindo o caminho para a santificação corretamente… porque não consegui escrever durante todo esse período? Qual o motivo desta “estiagem”? Teria o Senhor se afastado de mim?

A resposta veio agora a pouco. Tenho que admitir que o orgulho me impediu de enxergar a clareza e simplicidade que estão contidos na Palavra de Deus:

“Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” (Isaías 40:8)

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hebreus 4:12)

"Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça." (II Timóteo 3:16)

"Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar." (Mateus 24:35)

Não entendeu?

Simples: quando se lida com a verdadeira e única Palavra de Deus, não é necessário ficar “inventando moda”! A Bíblia como um todo existe há quase dois mil anos e até hoje continua sendo única e verdadeira! Ela não precisou ser modificada em nada para continuar sendo polêmica e contundente. Mesmo sem ter registrado nada aqui no site nos últimos meses, as mensagens que recebo provam que os textos continuaram sendo válidos, atuais e não deixaram de causar impacto e revelação na vida de muitas pessoas… e estas coisas definitivamente não vêm de mim.

Ao começar a pesquisar a palavra de Deus nunca imaginei que pudesse causar tanto interesse e manifestações quanto têm ocorrido desde que este site foi criado. Eu imaginava que os “estudiosos” já soubessem de tudo! Preferia viver na conveniência de acreditar naquilo que os “grandes pregadores” estavam falando! Gostava de estar confortavelmente aninhado no invisível e grande “acordo dos crentes que carregam a Bíblia debaixo do braço”… mas são incapazes de lê-la com uma perspectiva sóbria e crítica.

Com isso não estou querendo dizer que sou melhor que ninguém, aliás não preciso me esforçar muito para reconhecer o quão falho, miserável, mesquinho e carnal eu sou. E é justamente essa condição de total podridão que torna a salvação pela fé ainda mais bela! É a dificuldade de trilhar as verdadeiras veredas da justiça que podem nos levar à genuína santificação, afinal… a porta é estreita!

Se formos observar bem, as passagens bíblicas acima são exatamente as mesmas que citei a um jovem que certa vez veio querer me questionar sobre a validade das tatuagens… e estas mesmas passagens servem como respostas para todos aqueles que necessitam ficar vivendo de novidades contemporâneas e modernismos que, segundo eles, servem para “ganhar almas”.

Ora, ao abandonar o culto racional e o amor da verdade, para quem, afinal, estarão eles “ganhando” estas almas? Já escrevi bem sobre esse assunto quando analisei o que é apostasia e tenho certeza de que aqueles que tiram as passagens relativas às coisas novas ("nova criatura", "nova vida", "tudo se fez novo"…) de seu contexto original para poder trazer o mundo para dentro da Igreja sob o pretexto de "resgate" são os mesmos citados em Tiago 4:4 e II Timóteo 4:3-4: daqui a pouco vão inventar doutores e doutrinas capazes de "resgatar" não apenas ritmos carnais e costumes seculares, mas talvez até mesmo o próprio Satanás!

Definitivamente: não posso me afastar da Palavra de Deus! Mesmo passando por um momento de dificuldades, onde a ansiedade às vezes me impede de escrever… não pretendo desistir de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo em troca de nada que esse mundo possa me oferecer. Não são esses ventos (tanto em minha vida quanto os de doutrinas) que vão me afastar da estabilidade d’A Rocha!

Esse texto conclui aqui, de uma forma meio abrupta mesmo… e tenho que admitir que foi escrito com algum esforço e através de vários dias. Saibam que ainda há muitos assuntos que pretendo abordar como, por exemplo:

  • A diferença entre a Igreja Bíblica e a igreja industrial que existe nos dias de hoje (um estudo onde busco na Bíblia referências sobre o número de membros recomendável em uma Igreja… e já posso adiantar que não chega nem perto do que todo mundo já se acostumou a ver). Prestar culto é a mesma coisa que congregar?

  • Um estudo sobre Maria, Isabel, José, Zacarias, os irmãos de Jesus, Natal em agosto…

  • A análise da mais recente “obra literária” de um comentado escritor gospel, além de provas textuais que irão revelar um pouco mais de sua índole… seria ele apenas mais um lobo tentando se disfarçar dentro do rebanho? Ele é capaz de se aliar a divulgadores da doutrina espírita para continuar obtendo lucros dentro das igrejas adormecidas e repletas de misticismo? Estaria ele contaminando cristãos ao afastá-los sutilmente da verdadeira Palavra?

  • A análise do livro "Walk On", que pretende vestir o grupo U2 com um manto de santidade.

  • A segunda parte do "Absurdário Gospel".

Tudo isso está para ser escrito e muito provavelmente só venha a ser realizado durante 2007.

Há ainda uma infinidade de temas que desconheço e muitos livros que ainda não pude ler: sou apenas um simples sozinho e definitivamente não tenho respostas para todas as questões que me são formuladas além das que posso encontrar na Bíblia. Não sou doutor, não sou pastor, não sou formado em nada… tudo o que executo é mediante as graças de Deus, ao estudo da Palavra e a ação do Espírito Santo.

Peço que estejam orando por mim e por minha questão profissional cujo prolongamento aparentemente só tem servido para agravar meus problemas de saúde. Ao contrário do que desejou um pastor de São Paulo, não estou sendo processado e muito menos sou criminoso: continuo mantendo meu pseudônimo até o final desse impasse.

Junto com esta atualização há uma pequena adição à seção de mensagens respondidas. Concluo o ano de 2006 com confiança e tranqüilidade de ter escrito apenas para a edificação do verdadeiro Corpo de Cristo nesta terra: nunca para inflar egos (nem alheios e muito menos o meu próprio!) e muito menos para auferir lucros.

Rogo a Deus Todo Poderoso, em nome do Senhor Jesus Cristo, que os cristãos verdadeiros estejam sendo guardados do mal e da corrupção deste mundo, assim como peço que sejam abençoados com paz, saúde e prosperidade, mas principalmente com sabedoria e discernimento para que não sejam enganados por tantas falsas doutrinas quanto estas que têm surgido nos últimos tempos.

Não creio que desejar “boas festas” seja algo interessante, principalmente porque eu gostaria mesmo é de encontrá-los logo na grande festa mencionada em Isaías 25:6-9, com muita carne e vinhos velhos, mas… como desse dia ninguém sabe a hora, então… até breve (ou a qualquer momento)!

Teóphilo Noturno