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RELACIONAMENTOS

LEIA ANTES DE CASAR

ESTE TEXTO FOI DIVIDIDO EM 3 PARTES:


1ª PARTE

2ª PARTE

3ª PARTE


INTRODUÇÃO

Esta é a primeira parte de um estudo com base bíblica sobre o relacionamento entre homens e mulheres…

Esta introdução teve de ser totalmente alterada umas quatro vezes, principalmente porque este foi um dos textos mais difíceis (senão o mais difícil!) que escrevi até hoje: o assunto é bastante delicado e não planejava abordá-lo tão cedo. Porém fatores alheios à minha vontade mostraram que eu não poderia deixar tal tema de lado… aliás, que deveria apresentá-lo com a máxima urgência.

Muitos dos conselhos abaixo podem parecer extremamente simplórios para alguns… até mesmo ridículos! Mas saibam que, se decidi citar algumas passagens e fazer algumas recomendações é porque presenciei a ocorrência de coisas realmente inacreditáveis tanto para um relacionamento quanto para homens e mulheres ditos “educados” nos dias de hoje.

O que a Bíblia fala sobre o relacionamento entre homem e mulher? Nessa primeira parte a intenção é abordar os períodos conhecidos como namoro e noivado, ou seja, tudo o que pode ocorrer, as questões que devem ser feitas e o que deve ser observado antes do casamento. Sugiro começarmos pela leitura do capítulo 16 do livro de Ezequiel, onde encontraremos uma mulher (que representa a nação de Israel), seu comportamento e seu julgamento:

“E correu de ti a tua fama entre os gentios, por causa da tua formosura, pois era perfeita, por causa da minha glória que eu pusera em ti, diz o Senhor Deus. Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama, e prostituías-te a todo o que passava, para seres dele. (…) A cada canto do caminho edificaste o teu lugar alto, e fizeste abominável a tua formosura, e alargaste os teus pés a todo que passava, e multiplicaste as tuas prostituições. Também te prostituíste com os filhos do Egito, teus vizinhos grandes de carne, e multiplicaste a tua prostituição para me provocares à ira. (…) Também te prostituíste com os filhos da Assíria, porquanto eras insaciável; e prostituindo-te com eles, nem ainda assim ficaste farta. Antes multiplicaste as tuas prostituições na terra de Canaã até Caldéia, e nem ainda com isso te fartaste. Quão fraco é o teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obras de uma meretriz imperiosa! (…)… Nem foste como a meretriz, pois desprezaste a paga; Foste como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos (…) E julgar-te-ei como são julgadas as adúlteras e as que derramam sangue; e entregar-te-ei ao sangue de furor e de ciúme.” (Ezequiel 16:14-15, 25-26, 28-30, 31b-32, 38)

Vamos buscar agora, em breves palavras, entender as referências feitas neste extenso texto.

Em primeiro lugar podemos afirmar que este é um texto claramente histórico, contando como a nação de Israel se corrompeu e o alto preço que pagou por isso. Note que o termo “prostituição” tem sentido ampliado, abrangendo além do mais comum (prostituição carnal), chamando a tolerância (termo atualíssimo!) a outros deuses e a “paz” (até ao ponto da coabitação) com outras nações exatamente pelo mesmo nome!

Pela ampla possibilidade de interpretações para esta palavra, devemos então olhar para o momento onde há o julgamento desta mulher (v.38) e, apenas então, concluir ao que estes pecados estão sendo igualados: ao adultério e ao derramamento de sangue! Veja também que a analogia ao adultério é reforçada no verso 32 (e esse julgamento é ratificado pelo texto de Naum 3:3-6). Logo podemos finalmente traçar paralelos entre o texto e encontrar aplicações dele em nossas vidas modernas.

Ao ler todo o capítulo, vemos a vaidade que caracterizou a mulher após todos os cuidados que o próprio Deus dedicou a ela… assim como conhecemos para onde tanta beleza a conduziu: à perdição! Da mesma forma têm agido muitíssimos de nossos jovens: se “produzindo”, dando vazão a seus instintos, buscando relacionamentos modernos e abertos…

Não direciono este texto apenas ao sexo feminino, porém a todos os jovens! Meninos e meninas: sexo com qualquer pessoa que não está casada com você é pecado! Sim! Pecado comparado ao adultério e ao derramamento de sangue!!! Pecado de prostituição. Da mesma forma podemos classificar essa curiosidade e aceitação de costumes de outras religiões… afinal, você estará prostituindo sua santidade (que provém do único e verdadeiro Deus) com outras coisas diretamente relacionadas às “doutrinas de demônios” mencionadas na Bíblia! Simples assim… e difícil assim!!! Não estou falando tudo isso por acreditar que é fácil superar esse período tão característico… minha intenção aqui é fortalecê-los para que resistam até ultrapassar essa fase de luta intensa contra a carne! O pensamento que ocorre nesses momentos é o de que ninguém mais no mundo tem uma necessidade tão intensa quanto a sua própria… que a sensação de “fogo que consome” realmente pode ameaçar a sanidade, mas (por mais frustrante que possa soar) posso afirmar que isso tudo está previsto na Bíblia. Veja como o texto a seguir se ajusta perfeitamente às sensações que acabei de descrever:

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” (Gálatas 5:19-21)

Muitos cristãos culpam Satanás por toda essa lista, mas a Bíblia é clara ao declarar que essas são obras da carne! É claro que o inimigo se agrada de todo e qualquer pecado… ele se alimenta disso! Porém, no que possa depender de nossa própria resistência, somente a Bíblia pode dar a solução:

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” (Hebreus 12:1-4)

Quando eu era mais novo não existia essa desculpa esfarrapada de “Holy Ground” (Solo Santo) para justificar quaisquer desses devaneios modernos sob uma capa de santidade. Quando íamos a uma danceteria era sabendo claramente que ali não era um lugar que agradava a Deus (… hoje tentam disfarçar a corrupção e a amizade com o mundo usando a palavra “gospel” como prefixo ou sufixo de atos mundanos e inaceitáveis: “Rio Gospel Praise”, “Boate Gospel”… e outras coisas que não vale nem a pena citar!). Nessa época entre 1989 e 1993, eu estava com os dois pés fora do caminho correto… mesmo conhecendo (bem pouco) a palavra de Deus. Podia estar afastado, mas uma de minhas certezas era a de que, caso Jesus voltasse (conforme a Bíblia: “como um ladrão na noite”) e me encontrasse naquele local, boa coisa não aconteceria comigo.

Vejam bem: eu era um evangélico ordinário, não queria saber se as profecias estavam se cumprindo ou não! Sequer compreendia a extrema importância da santidade… mas estava ciente de meu erro. É bastante incorreto afirmar que eu tive “sorte” naquela época, mas a verdade é que a volta de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo está bem mais próxima agora do que antigamente: você quer ser apanhado de “calças curtas”? Quer ser classificado como “inimigo de Deus”, conforme Tiago 4:4? Quer correr o risco de ficar para uma temporada na tribulação por não ter dominado suas próprias concupiscências? Vai preferir acreditar em seus amigos do que na Bíblia?!? Satanás vai adorar a sua presença! Vai até mesmo te oferecer uma marca! É uma pena que se você recusá-la vai ter de, literalmente, perder a cabeça… (vide estudo “Um Plano Diabólico”)

Absolutamente não é fácil remar contra a maré: a mídia investe monstruosamente na erotização precoce da população, os hormônios dos alimentos contribuem para um amadurecimento corporal antes do tempo correto, a “moda” cria os cortes e modelos para que esses corpos sejam exibidos de forma mais explícita a cada dia… seus próprios amigos mais chegados te impulsionam a “ser normal”, sendo capazes de ridicularizar esse seu “comportamento antiquado”. Como chegamos a esse ponto? Como o que é certo se tornou errado? Quando a pureza se tornou ridícula para que a lascívia e a luxúria fossem exaltadas?

Amados… isso foi a muito tempo atrás! Vejam que a Bíblia, quando descreve o “Rei de Tiro” (que é o próprio Satanás. Veja Ezequiel 28:11-19), é clara quando diz que foi lançado por terra e colocado DIANTE dos reis da terra, para que estes OLHEM para ele. Esse “olhar” não indica uma simples contemplação com os olhos, mas o fato de “estar diante” mostra que foi colocado em uma posição de liderança, quando “olhar” se torna sinônimo de seguir ou ser liderado.

Essa “teoria da conspiração” encontra confirmação em Salmo 2:1-3, que mostra a atitude de rebeldia dos reis da terra contra Deus. Atitude esta que não encontra fim em nenhum outro texto bíblico, mas que, ao contrário, vem encontrar confirmação do domínio diabólico em Mateus 4:8-9, quando o inimigo de nossas almas oferece o que tem (TODOS os reinos da terra!!) se Jesus Cristo, prostrado, o adorasse. Muitos podem ficar chocados com essas afirmações, mas sou respaldado ainda por I João 5:19, que diz que “TODO O MUNDO está no maligno”…

O que mais você precisa para conseguir enxergar que todas essas coisas ditas “comuns” provêm da influência direta de Satanás nesse planeta? Por que você não se decide pela verdadeira e única palavra de Deus e passa a agir conforme manda a Bíblia? Aceite o conselho que está em Tiago 4:7-9:

“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)

Podemos ver que, de forma alguma, este mundo está passando por uma situação que permite tantas festas quanto estas que são organizadas a cada momento! A política, a economia, os recursos naturais, a violência… tudo aponta para uma enorme crise global (prevista em Mateus 24:21) e você consegue acreditar ainda que esse final de semana a festa (ou a balada…) vai ser ainda melhor que a da semana passada?!?

Desculpe por ter me afastado do assunto principal, mas essa explicação fez-se necessária para poder respaldar a afirmação que farei agora:

SEXO ANTES DO CASAMENTO É PECADO!!!

Não acredite na televisão, nas revistas, nos professores, nos amigos, ou em qualquer outra pessoa que diga o contrário (hoje em dia há até mesmo pastores capazes de pregar contra a palavra de Deus…). Acredite na Bíblia! Leia por si mesmo e veja que isso não é apenas minha opinião pessoal! Aproveite e leia também Mateus 15:19; Marcos 7:21-23; I Coríntios 6:13-20; I Coríntios 7:1-2, 8-9; II Coríntios 12:21; Efésios 5:1-11; Colossenses 3:5-6; I Tessalonicenses 4:3-8; Apocalipse 2:20-23 e Apocalipse 21:8.

Acho que essa foi o trecho mais fácil: definimos clara e biblicamente o que não se pode fazer antes do casamento. Agora vamos à parte mais complicada do texto…

UM POUCO DE MINHA VIDA

Este trecho é completamente dispensável…

A complicação que vejo nesta parte reside nas ilustrações que pretendo utilizar… algo que possa servir como um simples parâmetro de avaliação, mas que de forma alguma deve ser reputado como doutrina… e que ilustrações poderiam ser melhores do que as histórias pelas quais passamos?

Aliás, esta história certamente fará parte de minha biografia (que está sendo escrita a “passos de tartaruga”), cujo objetivo é engrandecer somente a Deus por sua maravilhosa graça e por todos os livramentos imerecidos que tive. Volto a repetir: os fatos narrados a seguir não devem ser tomados em momento algum como doutrina! Essa é a narração de um evento único, que não acontecerá da mesma maneira com mais ninguém… é meu “rhema”, que apresento no intuito de que outros possam aprender com a leitura e evitar praticar os erros que cometi.

Deixando as explicações e indo até os fatos, antes de qualquer coisa devo admitir: fui estúpido e cego por muito tempo em minha vida! Sem entrar em detalhes, preciso que saibam que, pouco tempo após o assassinato de meu irmão, fui parar justamente na mesma cidade onde ele viveu: Manaus. Talvez também seja fundamental ressaltar a importância de meu irmão em minha vida, já que fazia o papel de figura paterna e exemplo a ser seguido… e são tantos pequenos detalhes de extrema importância que eu teria de escrever algumas páginas até poder explicar todo o “background” do trecho que pretendo relatar. Não espero que, com este resumo, compreendam a revolta que senti pela morte de meu irmão, assim como o desgosto de ter ido morar num local onde eu esperava encontrar o “paraíso” (e ter encontrado um inferno!) e, é claro, a rebeldia típica da juventude. Todos esses fatores me levaram a um comportamento insano de prostituição.

Sim! O termo correto é exatamente esse: prostituição! Eu acreditava que, assim como meu irmão, eu também ia morrer naquele lugar… longe de tudo e de todos que eu mais amava! Minha fé em Deus estava profundamente abalada e eu já havia lido Kardec, visitado os Hare Krishna… aliás, há dois detalhes que não posso deixar de abordar: o primeiro é que o texto de Provérbios 22:6 é verdade, porque se eu não tivesse aqueles parcos conhecimentos bíblicos para servir como parâmetro de comparação, certamente hoje estaria bastante envolvido na divulgação da obra de Satanás.

O segundo é uma observação sobre a eficácia do “evangelismo” intenso que é feito por aqueles que servem a Satanás: na semana seguinte a morte de meu irmão uma pessoa importante (filha de um destacado político paulista) — cujo nome, estilo, opulência e influência jamais haviam passado perto de um pobre garoto suburbano como eu e que, não posso deixar de admitir, me deixaram profundamente impressionado — subitamente apareceu em minha vida e me presenteou com um “Evangelho segundo o espiritismo”.

Notem que não pretendo acusar esta pessoa de malignidade, pois suas intenções eram extremamente sinceras naquele momento: aliviar a dor que eu sentia. E ela realmente acreditava que naquele livro (de profundos enganos) estavam a verdade e o alívio… Não posso culpá-la por isso. Conforme Efésios 6:12, pude notar que o verdadeiro inimigo de nossas almas é praticamente perfeito em suas estratégias de ataque! Ele age exatamente como descreve I Pedro 5:8… buscando nos tragar em nossos momentos de debilidade.

Voltando ao momento que realmente importa, eu vivia uma rotina de autodestruição, praticando o “sexo roleta-russa”: extravasava minha frustração e revolta através de sexo com praticamente qualquer mulher que aparecesse… sequer me importando de usar preservativo. Já disse antes e volto a repetir: EU ESTAVA PERDIDO, PRONTO PARA IR PARA O INFERNO! Até mesmo sob o ridículo pretexto de oferecer um simples copo d’água já levei muitas garotas para meu apartamento… Não me orgulho disso e, mesmo no meio de toda aquela insanidade, muitas vezes, após mandar uma mulher embora num táxi, ia para a janela olhar o Rio Negro e chorava pelo vazio em minha vida. A solidão, o desespero… uma angústia tão palpável que mesmo aquela aparente “boa vida” não conseguia encobrir a miséria de minha existência. Minha maior vontade era voltar para casa e largar tudo aquilo… porém meu compromisso profissional me obrigava a estar ali. Além do mais, a mulher que eu amava de verdade estava se exibindo sob os holofotes no Rio de Janeiro.

É muito ruim testemunhar apenas sob um trecho de minha vida porque não sei como sintetizar tantas informações de uma maneira breve. Eu temo que este relato de minhas experiências possa estar causando uma impressão muito distante da verdadeira intenção da mensagem a ser passada… por favor, me perdoem se estiver agindo errado e, caso vejam necessidade de correção, não se furtem de me avisar.

Depois de três anos levando aquela vida miserável, finalmente eu conheci uma menina interessante: filha do ex-prefeito de uma cidade do interior, três dias mais nova que eu, inteligente, simpática, divorciada… uma menina especial e diferente! É claro que ela também possuía sua cota de problemas: casara com 13 anos, tivera um filho com 16 e se divorciara com 18. A recente perda de “poder” do seu pai levara sua mãe a um alcoolismo ocasional e, nesses dias, sob o efeito da bebida, a mãe xingava e batia na filha… muitas vezes deixando marcas. Nesses dias ela acabava indo parar no eu apartamento…

Mesmo com esses problemas, ela não deixava de ser alguém interessante o suficiente para me atrair e todos esses traumas e problemas acabaram me causando compaixão, fazendo com que eu a convidasse para que, durante esses momentos de crise, “fugisse” para meu apartamento.

Da primeira vez ela fugiu por uma noite… da segunda foram dois dias (e ela levou roupas íntimas para poder tomar banho)… da terceira ela ficou logo uma semana (e levou até algumas panelas…)!

No final das contas ela estava praticamente morando no meu apartamento… e eu achava isso extremamente conveniente: sexo seguro, comida e roupa lavada! Ela era especial e eu gostava bastante dela… mas não a ponto de casar! Certamente nunca senti o verdadeiro amor por ela, mas o entendimento humano sobre si mesmo e seus próprios sentimentos é bastante míope… e alinhar emoções e atitudes é algo absolutamente complexo, principalmente para um garoto exilado, rebelde e desnorteado de 20 anos. Todo o meu amor tinha endereço certo: o Rio de Janeiro! Minhas saudades, meus sonhos…

Isso não significa que eu desejava ver o mal dela… nunca desejei! Porém esse relacionamento começou a degringolar pouco depois dos seis meses, quando chegaram minhas férias e eu, sem a menor sombra de dúvida, viajei sozinho para casa. Vivi intensamente cada minuto de família, saboreei cada instante perto da menina que eu sonhava (mesmo sem “rolar” nem um beijo!): isso tudo me levou a perceber que minha vida de exilado não poderia continuar daquela maneira… mas como me livrar daquela mulher?

Acho que narrar mais detalhes a partir daqui não enriqueceria o entendimento do desfecho, mas eu não consegui terminar com aquele relacionamento e ele começou a tornar-se opressivo: minha “piedade” me impedia de tomar uma atitude mais severa, resultando numa dolorosa prorrogação daquele sofrimento. Ele começou a ter ciúmes, a ponto de passar a escutar minhas ligações pela extensão!

Creio que devo revelar logo o desfecho dessa história horrível para poder, finalmente, iniciar o trecho conclusivo e válido dessa primeira parte do estudo.

Para que essa situação se resolvesse teve de ser criada uma situação especialíssima, que me permitiu formular um teste que até hoje aplico a todos aqueles que estão falando em casamento e, mediante a resposta, podemos ter uma boa margem de segurança para apoiar o matrimônio ou solicitar que a pessoa reflita melhor antes de tomar tal atitude biblicamente tão importante e definitiva (veremos mais sobre isso na segunda parte desse estudo).

O fato é que houve um teste profissional de nivelamento em língua inglesa, composto por uma centena de questões. Eu acertei 97, ficando abaixo apenas de um outro técnico que acertara incríveis 99 questões. Isso foi bastante comentado por aqueles dias e, é claro, chegou aos ouvidos dela.

Mais tarde, no segundo semestre daquele mesmo ano, quando saiu a confirmação de minha transferência de volta para casa, eu fiquei alegre como até então nunca havia ficado na vida… porém enfrentei um grande problema: como contar a ela que eu finalmente iria embora de meu exílio? Como ter certeza de que ela não iria pegar um avião e aparecer de “mala e cuia” no portão da casa da minha mãe?

Nesse ponto da história creio ser necessário ressaltar novamente que, naquela época, eu estava ainda muito distante no caminho que Deus tem me feito trilhar de dois anos para cá, porém não havia nada que pudesse “cimentar” esse relacionamento leviano: não havíamos casado, não tínhamos filho… eu era apenas um jovem insano e estúpido que caíra nas mãos de uma mulher jovem, porém infinitamente mais experiente.

Quem apresentou uma solução criativa e, aparentemente, verídica foi o supervisor da torre de controle onde eu trabalhava que, ao ver minha tristeza, procurou se inteirar melhor do assunto. Ele já sabia de minhas aventuras e também de que meu maior sonho era poder ir embora daquele lugar. No final de meus relatos ele permaneceu calado por alguns instantes e, após tomar um fôlego profundo, falou que ia me ajudar. Bastava que para isso eu atendesse ao telefone aquela noite e me certificasse de que ela estaria ouvindo na extensão. Não me contou mais nada, apenas pediu que eu acreditasse no que ele iria me falar…

Fui para o meu apartamento sem entender o que iria acontecer, mas não demonstrei minha ansiedade. Às 21:00 o telefone tocou e, é claro, atendi. Iniciei uma conversa normal, porém em tom baixo… justamente para que a curiosidade fizesse com que a menina fosse para o quarto (certamente pegar a extensão!).

O assunto foi pura ficção, porém com alta probabilidade de ser real: eu havia sido escolhido, através de minha elevada nota no teste de inglês, para ir preencher a única vaga de um curso de elevação profissional, por cinco anos, na Europa! Quando questionei sobre o indivíduo que obtivera a pontuação maior, ele calmamente informou que ele não se enquadrou no perfil exigido por ser casado. Eu, por ainda ser solteiro, era a única opção viável….

Confesso que chorei, mesmo sabendo que aquilo era uma mentira deslavada. Chorei por ver ali, finalmente, um ponto final para todos aqueles meus anos de exílio e para um relacionamento opressor! Quando, aos prantos, terminei o telefonema, ela também saiu chorando do quarto e revelou que estava ouvindo tudo (e eu até tentei me fingir de surpreso…). Ela queria saber se eu iria para a Europa mesmo e eu nem gaguejei ao responder que aquela era a maior oportunidade de minha vida (o que não deixava de ser uma verdade…).

E aí o resto é história…

Hoje, dez anos depois, relato este episódio sem orgulho algum. Minha esperança é que minhas desventuras possam servir como lição para alguém que queira aprender a evitar os enganos que possam surgir. Tudo parecia tão espontâneo e controlado por mim no início da história… e no final eu sofria de angústia e, muitas vezes, acordava sobressaltado na madrugada, ao lado de uma mulher de quem eu gostava, mas não estava em meu coração.

As atitudes que tomei são passíveis de condenação (sexo antes do casamento, mentiras…) e eu sou o primeiro a condenar-me. Não apresento meus erros sob capa de “esperteza” ou “astúcia”: foi, absolutamente tudo, burrice e pecado mesmo! Porém, após a leitura de tantas coisas ruins, vamos finalmente saber as boas coisas que pude aprender com isso e posso ensinar aos jovens.

DEZ RECOMENDAÇÕES PRÉ-NUPCIAIS

Os conselhos abaixo são dedicados principalmente aos jovens que estão se envolvendo em um relacionamento ou buscando alguém para se relacionar: muitos deles serão explicados melhor na segunda parte deste estudo, quando falarei mais diretamente aos casais já casados. Porém esta lista foi feita com base nos maiores problemas que tenho listado no que diz respeito a relacionamentos e comportamento: são dúvidas comuns a muitas pessoas, algumas que até mesmo já passaram bastante da adolescência, porém nunca tiveram a liberdade de conversar sobre tais assuntos com outra pessoa.

Lembrem-se sempre de que esta lista NÃO É uma doutrina e nem meu site é um manual de auto-ajuda… avaliem tudo o que estiver escrito!

1. NUNCA (MAS NUNCA MESMO!) MANTENHA UM RELACIONAMENTO POR “PENA” DA OUTRA PESSOA

Antes de qualquer coisa, saiba que um relacionamento mantido por “pena”, “dó”, “piedade” (… qualquer um desses nomes que se aplicam aos sentimentos que temos por qualquer ser que se encontre em uma situação dificultosa) é um relacionamento inválido!

Mais cedo ou mais tarde o sacrifício feito acabará se tornando um peso insustentável e, no mínimo, o relacionamento sofrerá o grave dano das acusações e do “mas eu preferia…”.

Quem age dessa forma e pensa estar praticando um bem, um dia sentirá na própria pele a exaustão de conviver com alguém que na realidade não merece seu verdadeiro amor e, muito provavelmente, irá manter a relação através de “migalhas” sentimentais: não terá motivos para se liberar, realmente viver a emoção de amar ou mesmo compartilhar sua vida. Simplesmente vai achar que a outra pessoa não merece…

2. SAIBA DIFERENCIAR ENTRE “ATRAIR”, “GOSTAR” E “AMAR”

Uma das confusões mais comuns que consigo identificar (até mesmo nas pessoas mais velhas) se dá quando se decide identificar o nome do sentimento envolvido em uma relação. Tentando esclarecer essas dúvidas eu imaginei um “passo a passo” sentimental, que pode auxiliar a muita gente na classificação de seu sentimento. Comecemos nossa ilustração:

A) ATRAIR:

Esse é o estágio inicial da maioria de todos os relacionamentos modernos. Sim! Dos modernos, pois na antiguidade os pais decidiam quem ia casar com quem e que as vítimas se virassem para arrumar os sentimentos que surgissem a partir do matrimônio. Porém a possibilidade de escolha acabou não facilitando muito as coisas…

A atração é o deslumbramento irresistível que surge (inesperada e inexplicavelmente) em alguém ao ter contato com alguém do sexo oposto. Não questionando a velocidade em que as providências vão ser tomadas (ou não…), esse sentimento pode vir a cair no esquecimento, pode evoluir para o próximo passo (veja “GOSTAR”) ou até mesmo se tornar uma profunda aversão pela pessoa que um dia foi alvo da especulação sentimental.

Um dos grandes problemas da modernidade é que o excesso de liberdade cria chances para que as pessoas cometam o ato sexual logo nessa fase… às vezes até mesmo no primeiro encontro! Isso, ao contrário da vantagem que parece, só vem a causar mais confusão na cabeça e nos sentimentos das pessoas.

Olhando por um lado não sexual, a fase “atração” também ocorre em relacionamentos que se tornarão amizades, pois sempre deve haver algo que atraia nossa atenção nas pessoas que podem vir a se tornar nossas amigas: inteligência, bom (ou mau) humor, desprendimento… não necessariamente a beleza. Atrair também significa “chamar a atenção”. Vejam bem que não estou pretendendo, em momento algum, me referir a qualquer tipo de comportamento homossexual, pois tal atitude é condenada de maneira clara na Bíblia.

Certamente a palavra “casamento” sequer deve ser mencionada nessa fase de um relacionamento…

B) GOSTAR:

Esse é o “segundo estágio” de tudo. Nessa fase que se definem as amizades e, quando entre pessoas de sexo oposto, pode-se chegar até a um namoro.

O “gostar” inclui determinado grau de preocupação e carinho, quando a pessoa alvo de nosso carinho se torna mais que um conhecido. Geralmente há um aumento no tempo de convivência e, quase sempre, uma maior intimidade entre as pessoas.

O grande problema dessa fase, agora direcionando o assunto para o relacionamento entre sexos opostos, é que muita gente se precipita e decide casar sem esperar a evolução (ou não) para a próxima e sublime fase: o “AMAR”… e esse é um dos erros mais comuns que podemos encontrar por aí! São milhares de casais que simplesmente gostam, respeitam, agradam… são amigos, porém em momento algum chegaram a sentir o verdadeiro amor mútuo!

Você deixaria de lado uma grande e demorada mudança em sua vida por causa de um amigo? Considere o fato de que, por exemplo, após 10 anos mo exterior, seu amigo ainda seria seu amigo. Para a manutenção de uma amizade as cartas, viagens de férias, encontros casuais… esses simples contatos bastam. Já para um casamento… certamente não!

Não querendo antecipar assuntos de uma possível segunda parte desse estudo, mas os casais que mantêm um relacionamento à distância estão certamente dando grandes oportunidades para: a carência afetiva, a desvinculação emocional e até mesmo à tentação pelo adultério.

Então podemos dizer que o “gostar” pode muito bem permanecer apenas como gostar mesmo ou evoluir. Permanecendo nesse nível, surgirão as amizades ou aqueles namoros com prazo de validade estabelecido. Sendo um namoro, pode ser que as coisas evoluam e então se chegue ao estágio de…

C) AMAR:

Optei por não utilizar termos como “ludus”, “filos”, “storge”, “pragma”, “mania”, “ágape” e “eros” nas categorias anteriores por não pretender um envolvimento técnico no assunto: deixei-os para ser citados apenas aqui e de maneira bastante breve. Há necessidade de que três tipos de amor sejam encontrados nesse estágio: filos, ágape e eros.

Devo ressaltar que chegar até aqui normalmente não é um processo rápido e, ao contrário das celebridades e artistas da TV, não se ama uma pessoa a cada semestre: o verdadeiro amor é algo tão raro e valioso quanto a felicidade de uma vida inteira! Nenhum ouro deste mundo paga o prazer, a paz e a satisfação de ter alguém que possamos amar: depositar (dar), compartilhar e desfrutar (receber). Há um belo estudo do Reverendo Kleber Nobre de Queiroz sobre esse assunto e recomendo sua leitura.

Sobre a leviandade dos famosos só posso dizer que a Bíblia já previa o aumento da promiscuidade no final dos tempos: alguns podem dizer que isso sempre existiu e eu serei forçado a concordar, porém tal promiscuidade é divulgada com maior intensidade a cada dia por essas “celebridades”: através de sua mudança constante de parceiros, seu exibicionismo pornográfico (ditas “secretas”, mas divulgadas largamente através da internet!)… e muitas pessoas comuns já crêem que tudo isso é normal…

Não posso negar que a espera pela identificação de tal nível de relacionamento pode exigir mais paciência de alguns, porém se desejarmos andar de acordo com a palavra de Deus é melhor esperar do que correr riscos.

Amar é saber que aquela pessoa é a oportunidade que você esperou a vida inteira, saber que as outras pessoas passaram a ser simplesmente as outras pessoas, que você não precisa mais impressionar ninguém… que todas as ofertas desse mundo não valem tanto quanto aquela pessoa e que, por ela, você vai ser capaz de enfrentar os percalços da vida em prol de um objetivo correto. Eu sempre digo: a paixão são as intensas labaredas de um fogueira feita com um monte de palha, mas o amor é a incandescência constante que fica durante muito tempo nas madeiras mais velhas… muitas vezes aquelas brasas reacendem grandes labaredas, mas o contrário geralmente é mais difícil.

Notem que nesse caso o matrimônio é altamente recomendável. Também é necessário alertar que esse tipo de amor nunca, em hipótese alguma, deve ser confundido ou ser considerado em hierarquia maior que o amor entre você e Deus. Esse foi, é e continuará sendo o primeiro, o maior e o definitivo amor!

3. APRENDA QUE SERES HUMANOS SÃO APENAS SERES HUMANOS

Uma das coisas mais engraçadas de se constatar é a ânsia de perfeição que acomete os apaixonados: é óbvio que o ser humano busca se apresentar da maneira mais bela e correta possível, porém esse disfarce tende a cair com o tempo.

O problema é que muita gente não consegue definir o que foi “maquiagem” e o que é real. As coisas que eu vou falar podem parecer vulgares, mas são fatores inseparáveis de qualquer corpo humano e que muitos apaixonados esquecem ou deixam de acreditar que existem. Garanto a vocês que essa lista é de extrema importância… não duvidem!

  1. Todo ser humano fica cansado.

  2. Todo ser humano dorme.

  3. Todo ser humano tem sistema digestivo… tanto para entrar quanto para sair!

  4. Todo ser humano tem glândulas sudoríparas.

  5. Esquizofrenia, manias estranhas, frescuras, má educação, gulodice, glutonaria, bulimia, anorexia, cleptomania, gases, odores ruins, mau hálito… tudo isso é muito mal e não deixa de existir… nem se torna mais belo porque pode ocorrer com a pessoa amada.

A lista poderia ser ainda bastante aumentada, porém preferi citar apenas alguns episódios dos quais tive conhecimento. Saibam que isso tudo faz parte das leis naturais criadas por Deus (… chove tanto nos justos quanto nos injustos…) e que, se você planeja envelhecer ao lado de alguém, pode ir se preparando para lidar com alguns desses fatores: uns podem ser diminuídos, outros tratados… o belo disso tudo é poder dar e receber apoio (ou, pelo menos, deixar “passar em branco”) em todas as situações.

Não se relacione achando que ele ou ela é um anjo, pois a decepção pode ser muito grande! Um exemplo que posso dar é de um conhecido meu que, logo após a lua de mel estranhamente breve, me confessou, profundamente decepcionado, ter pensado até mesmo em anular o casamento, pois não sabia que as mulheres também soltavam gases. Não riam! É sério! Graças a Deus, depois de uma boa conversa, ele acabou se adaptando à situação.

4. APRENDA QUE HOMENS E MULHERES SÃO MUITO DIFERENTES

Hoje em dia temos uma batalha por “direitos iguais” e não pretendo discutir isso aqui, porém a diferença entre homens e mulheres vai além de meros detalhes anatômicos, chegando a nuances psicológicas até mesmo conflitantes entre os sexos. Mesmo em casais cujo relacionamento já dura algum tempo, algumas vezes tais detalhes importantíssimos são esquecidos…

Por causa desse desconhecimento é que existem milhares de livros por aí (alguns bons, outros medíocres…) tratando dos problemas de relacionamento. É claro que não conseguirei ser tão abrangente quanto as tantas obras com tantos milhares de páginas, porém quero abordar, como venho tentando fazer até agora, os problemas com que tenho me deparado no convívio de casais reais, alguns deles de amigos ou conhecidos. Ressalto que são considerações gerais e genéricas: não são “fórmulas mágicas” e muito menos doutrinas. Lembrem-se sempre que as pessoas são muito diferentes entre si.

A) Homens não são mulheres

A maioria dos homens não consegue distinguir tantas cores quanto as mulheres, muito menos gosta de falar da mesma forma. A personalidade masculina geralmente quer “resolver o problema” e não apenas “discutir sobre um assunto”. Essa “capacidade de resolver” masculina muitas vezes pode vir a se tornar um problema, pois há alguns homens que não admitem o questionamento de suas decisões em hipótese alguma, tomando isso como parâmetro para sua masculinidade… e este é um “prato cheio” para criar problemas.

Uma citação bastante utilizada nestes casos pode ser Efésios 5:22-24, isso porque apesar de existir todo o restante do texto (até o verso 33!) parece que muitos homens só conseguem absorver esta primeira parte…

Senhores! Sugiro que leiam não apenas todo o texto de Efésios 5:22-33, assim como Colossenses 3:18-21 e principalmente I Pedro 3:1-7, onde é recomendado o conhecimento (em algumas versões: discernimento!). Aprendam a filtrar as informações emitidas por suas mulheres, diferenciando o conteúdo “conversinha” dos detalhes que podem ser verdadeiros alertas. Por minha própria experiência conjugal posso afirmar que algumas vezes uma discussão pode surgir quando não analisamos os reais motivos de uma crítica.

Para ilustrar citarei uma noite não muito distante, pouco antes de minha cirurgia, quando minha esposa estava bastante frustrada por não termos uma vida social tão intensa quanto tínhamos antes de tudo (principalmente de quando éramos “teenagers”…). Havíamos visto um belo vestido no shopping e eu até pensei em comprá-lo para ela, porém não o fiz porque ela admitiu que não teria onde usá-lo. Isto foi o elemento gerador do questionamento: “o que houve com nossa vida noturna?”.

O modo como ela expressou sua frustração certamente gerou um atrito inicial e os ânimos já começavam a se exaltar quando decidi parar e pensar… e a afirmação dela era a mais pura verdade: antes de casarmos íamos à festas populares, clubes… depois de casados ela sempre gostou de que fossemos ao teatro… e agora?

Tive que traçar um desenvolvimento histórico de quem nós éramos antes e quem somos agora, principalmente depois do início de meus estudos: as festas populares eram, já naquela época, repletas de bebidas alcoólicas e outras coisas completamente incompatíveis com nosso testemunho pessoal… e hoje as coisas ainda conseguiram piorar com a popularização da aberração sonora chamada “funk”!

Quanto ao teatro… aí sou forçado a admitir que o problema é comigo: assim como há pessoas que não digerem bem determinados alimentos, todas as vezes que eu ia ao teatro levava a noite inteira ruminando as idéias apresentadas. A maioria envolvendo o incentivo e a exaltação à homossexualidade, o escarnecimento da pobreza… a sublimação do fútil… e olhem que eu não estou falando apenas de comédias…

Depois dessa discussão, aprendemos que não apenas somos outras pessoas, mas que o mundo está num processo acelerado de degradação, completamente incompatível com a vida cristã.

Qual o propósito desta ilustração? Mostrar que eu simplesmente poderia me sentir ofendido, não buscar um termo comum e compreensível para ambos… Apenas dizer que “não saímos porque não saímos” e pronto. Este seria um passo para a erosão do relacionamento.

A moral deste tópico é: às vezes, uma reclamação feminina pode ser apenas simples futilidade, mas sempre esteja atento ao estado geral do relacionamento e o que estes comentários podem estar significando.

B) Mulheres não são homens

NUNCA! Em hipótese alguma trate sua esposa (ou noiva ou namorada…) da mesma forma que trataria um amigo das tardes de futebol aos sábados!!

Aprenda a ter paciência e escutá-la, de preferência sem interromper tanto quanto gostaria e, às vezes, até mesmo não apresentando uma solução: às vezes uma mulher quer apenas ser ouvida e se sentir plenamente compreendida… mesmo que nem sempre as compreendamos integralmente! É por esse hábito de comunicação que geralmente as mulheres gostam tanto de conversar entre si… às vezes até mesmo falando o que não deve ser dito. Não sei se esse é um costume moderno ou se é proveniente da “liberação” ocorrida a partir do século passado, apenas posso afirmar que muitas vezes as mulheres revelam detalhes íntimos e indiscretos, crendo que com isto estão aumentando a credibilidade mútua entre amigas. Cuidado com isso!

Senhoras e senhoritas! Lembre-se sempre de Provérbios 12:22, Provérbios 21:23, I Coríntios 15:33, Tiago1:26 e principalmente de Tiago 3:1-12 quando sentirem vontade de participar daquelas conversas mais “reveladoras” que surgem entre amigas nos momentos menos ativos: evitem revelar particularidades conjugais, anatômicas, comportamentais… falo isso porque sei que hoje em dia as mulheres tem se reunido para falar sobre coisas que fariam ruborizar homens decentes.

A breve ilustração que aplico é a de uma conhecida que se vangloriava tanto nas qualidades de seu marido que acabou despertando a curiosidade de sua melhor amiga. Sendo a carne fraca, houve adultério, separação e desgraça…

Senhoras e senhoritas! Ajam mais conforme as recomendações de Provérbios 14:1, Provérbios 12:4, Tito 2:3-10, mas leiam e compreendam com bastante clareza o texto de Provérbios 31:10-31, que é uma bela recomendação sobre como proceder com os afazeres domésticos, com as economias do lar.

Acho bastante curioso que Salomão, com toda a sua sabedoria, escolheu fechar o livro de Provérbios justamente aconselhando às mulheres sobre como se comportar: esqueçam os desperdícios da assim chamada “moda”, não se deixem levar pelos vãos apelos comerciais do marketing moderno… você precisa mesmo estar vestida com a cor da moda? Precisa mesmo daquela bolsa? Não estou querendo dizer com isso para que as mulheres saiam por aí vestindo farrapos, mas aconselhando-as a ser equilibradas em seus gastos “passionais”.

Vejam vocês que há uma interessante recomendação em I Coríntios 7:34, sobro o procedimento a ser seguido por uma mulher casada… já leram? Então saibam as senhoras e futuras senhoras que essa história de “ministério importantíssimo” não é amparada biblicamente… principalmente se o mesmo prejudicar o pleno cuidado do lar.

5. PROCURE CONHECER A OUTRA PESSOA ALÉM DO “OUTDOOR”

Esse é um conselho simples: demore algum tempo para poder conhecer a verdadeira forma de relacionamento entre seu futuro cônjuge e o mundo ao seu redor: família, ambiente de trabalho, amigos…

Não creia no “anjo de candura” que se apresenta a você nos primeiros encontros, antes busque conhecer os conflitos nos quais esta pessoa possa estar envolvida: problemas com a fé, problemas sociais, vícios, conflitos no lar, pressão profissional… tudo pode ser oculto por algum tempo, mas um dia irá aparecer e, sem dúvida, influenciará no relacionamento.

6. FUJA, ENROLE, CORRA, SEJA CHAMADO DE BOBO… MAS, DE MANEIRA ALGUMA, FAÇA SEXO ANTES DO CASAMENTO

Eu iniciei o estudo falando sobre a prostituição e explicando que sexo antes do casamento é equiparado exatamente a esta categoria de pecado… você leu? Pois o apelo da carne é a armadilha mais difícil de ser superada quando se começa a pensar em estabelecer um relacionamento estável e duradouro como o matrimônio.

É a famosa “vontade de provar” enquanto a panela ainda está no fogo… fuja disso! Sinceramente, lembrem-se que vocês terão todo o tempo do mundo para fazer isso depois de casados! Pode até parecer que eu estou querendo enrolá-los com uma mentira, mas é a mais pura verdade: a Bíblia não proíbe o sexo entre um casal devidamente casado em lugar nenhum! Pelo contrário: incentiva e faz recomendações impressionantes! Veja I Coríntios 7:3-6 e, baseados nisso, podemos afirmar que I Pedro 3:7 está dizendo que todo e qualquer desentendimento no lar (inclusive o sexual) impede as próprias orações de atingir seus objetivos!!!

Agora, solteiros e solteiras! Para vocês permanece o rigor de I Coríntios 7:8-9, 32-34, sem apelação e sem “jeitinho”… Por isso, aconselho-os que sejam “bobos”: evitem encontros “perfeitos”, onde serão criadas oportunidades para um clima mais “quente”.

Aos homens, que se excitam muito mais pela visão que as mulheres, saiba que o presente já é seu, mas terá de contentar-se com que ele permaneça devidamente embalado até depois da cerimônia. Evite ficar contemplando e “dando asas a imaginação”… volto a citar o texto de I Coríntios 7:8-9 para vocês também, acrescentando ainda o verso 32.

Às belas e curvilíneas moçoilas: eu sei que as roupas de hoje têm cada vez menos pano, mas isso não quer dizer que só exista esse tipo de roupas no mundo. Andar bonita definitivamente não é sinônimo de andar na moda. Lembrem-se do que a palavra de Deus diz sobre a sensualidade em Oséias 4:11, Gálatas 5:19-21 e Colossenses 3:5. O fato de você ser bela não significa que isso é motivo para que saia exibindo-se seminua por aí. Portanto, esconda seus lombos, livre-se dos decotes ousados, do “fio-dental”… sua exibição pode estar causando efeitos que você não prevê, tornando sua beleza natural em um instrumento nas mãos de Satanás.

Vejam bem que, no parágrafo anterior, não estou defendendo àquela aparência que denomino como “santarrona”, muito utilizada por algumas pessoas como evidência exterior de santidade, mas completamente ineficaz para o fim a que se propõe. Existe um ponto de equilíbrio entre decência, beleza, santidade e normalidade… e é exatamente a esse ponto que me refiro.

Se Deus não for glorificado através de sua vida e de seu testemunho, não serão suas roupas e nem algumas vãs repetições que farão isso por você… a castidade, por exemplo, é um excelente modo de se glorificar a Deus através da obediência!

7. AVALIE SINCERAMENTE SUAS CONDIÇÕES FINANCEIRAS

A terrível condição financeira de nosso país tem atrapalhado muita gente, dificultando que realizem um matrimônio 100% correto, conforme a Bíblia. Vejamos os textos de Gênesis 2:24, Mateus 19:5, Marcos 10:7, Efésios 5:31… eu sei que é uma repetição, mas o fator “deixará o homem seu pai e sua mãe” parece ser bastante importante, senão não estaria sendo repetido tantas vezes, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Encontrar essa recomendação dita pelo próprio Jesus Cristo e repetida por Paulo torna tal procedimento muito mais que uma mera sugestão… e o que mais vemos por aí são pessoas que se casam e continuam morando na mesma casa que seus pais. Não estou criticando as dificuldades financeiras, porém tentando prevenir os problemas que muito provavelmente irão surgir quando, instintivamente, os pais começarem a se envolver na vida cotidiana do casal.

A primeira grande experiência perdida é a do homem que nunca chegará realmente a ser o sacerdote do lar, o líder da família… isso porque sempre estará sob a autoridade dos pais (dele mesmo ou dela…) e verdadeiros donos daquele lar.

Outras experiências de convívio também serão prejudicadas pela “superpopulação”, impedindo que o casal venha a se conhecer tão intimamente quanto o necessário. Vejam que “intimamente” aqui não significa o ato sexual, mas sim a intimidade de entrar e sair de discussões sem interferências externas, a intimidade de sustentar suas opiniões sem ser apoiado ou condenado por mais ninguém além de seu próprio cônjuge…

A própria experiência da paternidade se torna incompleta, pois a participação dos avós na educação será muito mais intensa e constante do que se a família mais nova estivesse morando em sua própria residência.

Não cito isso para acusar aqueles sem possibilidade de ter seu próprio local por alguma coisa, mas apresento estes fatores apenas na intenção de expor um grande problema que, muitas vezes, é ignorado por todos e pode vir a causar grandes transtornos em um relacionamento conjugal.

Se você está pensando em casar, sugiro que considere seriamente estas recomendações e avalie sua situação financeira criteriosamente: há muitas outras contas além do aluguel e do condomínio para que um lar funcione de forma perfeita!

Vocês já conversaram sobre como irão lidar com o orçamento? Seu cônjuge vai auxiliar? Vocês têm uma conta conjunta ou manterão contas individuais? Você conhece os hábitos de consumo de seu futuro cônjuge? Você concorda com a forma que seu cônjuge utiliza o dinheiro?

Essas e outras questões devem ser seriamente discutidas antes de começar a se preparar uma festa…

8. PLANEJE SEU FUTURO A CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO

Ah! Que lindo! O casal recém casado desfrutando dos primeiros dias como marido e mulher…

Mas sugiro que pense um pouco mais adiante… sobre o que planejam para daqui a uns cinco anos. Querem ter filhos? Já pensaram na responsabilidade de educar uma criança de acordo com a palavra de Deus nos dias modernos?

Não querem ter filhos? Ela já fez exames para saber qual método contraceptivo irá se adequar melhor a seu organismo? Um filho fora de hora pode desestabilizar um relacionamento… e as leis da natureza são válidas tanto para os justos quanto para os pecadores: não me venham alegar que um filho imprevisto é a vontade de Deus (sobre esse assunto vejam parte da análise sobre afirmações semelhantes feitas por Rick Warren).

E muito adiante? Já pensou? Já considerou que a beleza e o frescor da juventude têm prazo de validade? Já se imaginou idoso, ao lado do amor de sua vida? Sem todo aquele “eros”, mas com muito “filo”, “storge” e “ágape”? Seus planos de saúde estão em dia? Já fez seu seguro de vida?

Se bem que essa possibilidade da velhice eu já nem sei se é válida: do jeito que as coisas estão indo nesse mundo, acho que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo tem grande probabilidade de retornar antes de tanto tempo…

É vergonhoso ver pessoas que se casam e são incapazes de apoiar e sustentar seus cônjuges quando estes passam por momentos de dificuldade. Pense que você não está contratando um sócio, mas está se unido a alguém que deverá amar como a si mesmo! Tenho certeza que você não se deixaria sem plano de saúde por estar desempregado, não é mesmo? Honre seu cônjuge sem esperar retorno imediato, certamente você será honrado quando precisar!

9. COLOQUE DEUS EM SEU RELACIONAMENTO

Admito que este deveria ser o primeiríssimo item desta lista, mas decidi deixá-lo por penúltimo por acreditar que as pessoas que estão lendo esse texto, em sua maioria, já saibam da importância fundamental do assunto que é tema desse tópico.

A frase mais curiosa que ouvi antes de me casar é que o casamento é um nó que não se desata, pois tem três pontas: o homem, a mulher… e Deus! Sem esse terceiro membro, não passa de um contrato como outro qualquer.

Reflita sobre isso… estudem a Bíblia juntos ao invés de ficar indo para (conforme os paulistas) as “baladas”. Aprendam a orar juntos… isso é tão difícil! Questionem-se mutuamente sobre suas convicções espirituais e busquem ajuda e respostas: primeiro na palavra de Deus. Depois, caso a dúvida persista, com algum pastor. Se quiserem, podem até me escrever! Pior que não crer é pensar que está seguindo a palavra de Deus e, na verdade, estar seguindo a fábulas profanas e doutrinas de demônios.

Ah! Não vão acreditando que ao casar com um incrédulo ele irá se converter “por osmose”. Leiam II Coríntios 6:14-18 e aprendam sobre o jugo desigual. Depois retornemos até I Coríntios 7:12-17 e vejamos que tal união pode ocorrer, mas não é preferencial, porém exceção digna de recomendações próprias por parte de Paulo.

10. SUBMETA-SE AO “TESTE DA EUROPA”

OK: todos os itens acima foram checados… agora só falta se certificar de que o que você está fazendo é o que você quer fazer mesmo… DEFINITIVAMENTE… PARA O RESTO DE SUA VIDA!!!

E se, de repente, surgisse uma oportunidade para que você fosse passar uma década na Europa, exercendo uma atividade extremamente bem remunerada… mas que exigisse sua completa e total solidão por questões de mobilidade profissional?

Você seria capaz de deixar seu cônjuge no Brasil e partir, vindo sempre que pudesse para visitar? Ou você honraria seu matrimônio contraído perante Deus e os homens?

Não estou considerando as separações imprevistas e esporádicas que podem ocorrer com qualquer pessoa. É comum, por exemplo, um militar ir passar três meses ou mais numa missão. Mas isso é exceção, pois normalmente ele passa a maior parte de seu tempo em sua sede, onde pode (e deve!) prestar assistência à sua família.

A primeira opção é até utilizada por alguns conhecidos meus, porém não considero isso como matrimônio… parece mais um simples contrato de relacionamento.

Como, diante do texto de I Coríntios 7:5, podemos considerar correto um matrimônio onde um dos cônjuges pode passar até mais de um semestre sem poder estar presente? E olhe que o motivo dessa ausência não é nem jejum e nem oração…

Eu já disse anteriormente sobre os tipos de amor que são necessários para que se realize um casamento e a ausência de qualquer um desses implica em um matrimônio perneta, passível de queda a qualquer momento! Se o amor Eros não se realizar, então é um relacionamento de amizade… ou de piedade, mas nunca um matrimônio!!! É loucura!!!

Se, ao pensar na distância e na frieza, você optar por enfrentar as agruras de um cotidiano menos brilhante por amor a essa pessoa… se você acreditar firmemente que o Senhor proverá seu sustento mesmo que de uma forma menos opulenta… e ficar feliz com isso… então chegou a hora de me convidar para a festa! Vá em frente, assuma posição de responsabilidade por 50% de tudo o que vier a ser decidido por vocês daqui por diante.

Se, ao aplicar o “teste da Europa” em si mesmo, a resposta for “eu prefiro ir”… é melhor deixar essa idéia de casamento para trás: use sua dignidade e ponha fim neste relacionamento sem futuro. Siga buscando a vontade de Deus para sua vida, assim como sua realização profissional, financeira. Um dia o Senhor poderá colocar alguém para que você AME DE VERDADE em sua vida.

De uma forma ou de outra, que Deus nos abençoe, proteja e guie.

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Teóphilo Noturno